29 setembro, 2011

LÍNGUA – PAULO VIOTTI









A autora espiritual pede para ser identificada.



Amiga alvissareira,

Das leiras humanas,

Nós nas cordas,

Do digno guapo,

Da nobre guerreira.



Que fazem de ti,

Ave cantante,

Descansa nos néscios,

Silencia no amante,

Embeleza o bem-te-vi.



Ácido n´alma,

Lancina mente,

Condena inocentes,

Envaidece bufões,

Afasta a calma.



Denota alegria,

Desabafa dores,

Externa rancores,

Destrói e cria,

Belos amores.



Arma do infames,

Meio dos cultos,

Confusão em espíritos,

Danos na alma,

Chicote de insepultos.



Meio da prece,

Também do elogio,

Pimenta que arde,

Corações genuínos,

Desvia do plantio, da messe.



Usada por Moisés,

Disciplinador fiel,

Usado por Jesus,

Olhos de mel,

Portanto servos da luz.



Homem amigo,

Trate-a com respeito,

Não como inimigo,

Nem com desdém,

Conduza-a ao bem.



Se não sabemos,

Calemos,

Se não controlamos,

Pensemos,

Se assim não agimos, a alma abala.



Estudemos, a vida, almas errantes,

Se não somos doutores,

Sejamos tropeiros,

Calemos a insensata fala,

Cantemos em belos berrantes.



Seja nossa língua ambrosia,

Buscando aquecer amores,

Declinemos solerte da Crítica,

Que trará por certo dores,

Sejamos mecanismo de alegria.



Quem fala muito,

É Conviva dos irracionais,

Não canta como araponga,

Nem rulha com os pombos,

Afastando-se dos imortais.



Não vejo necessidade,

De provar nomes e estética,

Amigos, Cristãos ou não,

Guardemos o fel da insana verve,

Vivamos em paz sob a égide da ética.



Paulo Viotti, com a ajuda dos amigos espirituais (Cora Coralina 1889-1985)





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