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25 outubro, 2013

Separação da Alma e do Corpo



154) O corpo ou a alma sente alguma dor no momento da morte? 

– Não; o corpo sofre muitas vezes mais durante a vida do que no momento da morte: a alma não toma nenhuma parte nisso. Os sofrimentos que às vezes ocorrem no momento da morte são uma alegria para o Espírito, que vê chegar o fim de seu exílio.
   Na morte natural, a que acontece pelo esgotamento dos órgãos em conseqüência da idade, o homem deixa a vida sem se dar conta disso: é como um foco de luz que se apaga por falta de suprimento. 
155) Como se opera a separação da alma e do corpo? 
– Quando os laços que a retinham se rompem, ela se desprende.
155a) A separação se opera instantaneamente e por uma transição brusca? Há uma linha de demarcação nitidamente traçada entre a vida e a morte? 
– Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo subitamente libertado. Esses dois estados se tocam e se confundem de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos laços que o retinham no corpo físico: eles se desatam, não se quebram.
   Durante a vida, o Espírito se encontra preso ao corpo por seu envoltório semimaterial ou perispírito. A morte é apenas a destruição do corpo e não do perispírito, que se separa do corpo quando nele cessa a vida orgânica. A observação demonstra que, no instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; opera-se gradualmente e com uma lentidão muito variável, conforme os indivíduos. Para uns é bastante rápido e pode-se dizer que o momento da morte é ao mesmo instante o da libertação, quase imediata. Mas, para outros, aqueles cuja vida foi extremamente material e sensual, o desprendimento é mais demorado e dura algumas vezes dias, semanas e até mesmo meses. Isso sem que haja no corpo a menor vitalidade nem a possibilidade de um retorno à vida, mas uma simples afinidade entre corpo e Espírito, afinidade que sempre se dá em razão da importância que, durante a vida, o Espírito deu à matéria. É racional conceber, de fato, que quanto mais o Espírito se identifica com a matéria, mais sofre ao se separar dela. Por outro lado, a atividade intelectual e moral, a elevação de pensamentos, operam um início do desprendimento mesmo durante a vida do corpo, de tal forma que, quando a morte chega, o desprendimento é quase instantâneo. Esse é o resultado de estudos feitos em todos os indivíduos observados no momento da morte. Essas observações ainda provaram que a afinidade que em alguns indivíduos persiste entre a alma e o corpo é, algumas vezes, muito dolorosa, visto que o Espírito pode sentir o horror da decomposição. Esse caso é excepcional e particular para certos gêneros de vida e certos gêneros de morte; verifica-se entre alguns suicidas. 
(O Livro dos Espíritos - Perguntas nº: 154,155 e 155a)
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Por um efeito contrário, a união do perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito. 
Dado que, um instante após a morte, completa é a integração do Espírito; que suas faculdades adquirem até maior poder de penetração, ao passo que o princípio de vida se acha extinto no corpo, provado evidentemente fica que são distintos o princípio vital e o princípio espiritual.
(A Gênese - Allan Kardec)

30 setembro, 2011

ESCUTE SUA ALMA






Os Cabalistas afirmam que a maioria de nós foge do que tem que realizar nesta vida, encontrando desculpas para evitar fazer o trabalho espiritual para o qual nascemos.



Os sábios revelam que quando um homem, que tenha evitado a espiritualidade, comparecer perante o Criador e lhe for perguntado por que não mudou, ele sacará da sua sacola de desculpas: "Eu estava muito ocupado tentando sobreviver", "Fui uma boa pessoa", "Eu não sabia que o Senhor realmente existia". Deus então lhe dirá: "Você tem todas as desculpas, mas não realizou nem perto do suficiente nesta vida. Agora você tem que voltar ao mundo e fazer mais".



O que é que existe na nossa natureza humana que faz com que evitemos nos estender? A resposta é simples: quando o trabalho espiritual parece compulsório, resistimos. Como você reage quando alguém diz que você deve fazer alguma coisa? As chances são de que você reaja contra aquilo. O mesmo acontece quando dizemos a nós mesmos que "devemos fazer"



Vamos apagar o "devemos" do nosso vocabulário.



O motivo por que fazemos trabalho espiritual é o nosso próprio beneficio. E é importante lembrar que nossa alma encarnou por uma razão específica. A Cabala ensina que o ponto principal em sermos humanos reside em nos transformar.









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20 junho, 2011

UM DOS MAIS BELOS TRAJES DA ALMA




O médico conversa descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega, e de forma ríspida, pergunta: Vocês sabem onde está o médico do hospital?

Com tranquilidade, o médico responde: Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?

Impaciente, a mulherindaga: Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?

Mantendo-se calmo, contesta ele: Senhora, o médico sou eu. Em que posso ajudá-la?

Como?! O senhor?!?! Com esta roupa?

Ah, senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...

Oh! Desculpe, doutor! Boa tarde! É que...vestido assim, o senhor nem parece um médico...

Veja bem as coisas como são...- diz o médico -... As vestes parecem não dizer muitas coisas mesmo... Quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos, e depois daria um simpaticíssimo "Boa tarde!"

Como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...

* * *

Um dos mais belos trajes da alma é, certamente, a educação.

Educação que, no exemplo em questão, significa cordialidade, polidez, trato adequado para com as pessoas.

São tantos ainda no mundo que não têm tato algum no tratamento para com os outros!

Sofrem e fazem os outros sofrerem com isso.

Parece que vivem sempre à beira de um ataque de nervos, centrados apenas em si, em suas necessidades urgentes e mais nada.

O mundo gira ao seu redor e para lhes servir. Os outros parecem viver num mundo à parte, menos importante que o seu.

Esses tais modos vêm da infância, claro, em primeiro lugar. Dos exemplos recebidos da família em anos e anos de convivência.

Mas também precisam vir da compreensão do ser humano, entendendo todos como seus irmãos.

Não há escolhidos na face da Terra. Não há aqueles que são mais ou menos importantes. Fomos nós, em nossa pequenez de Espíritos imperfeitos, que criamos essas hierarquias absurdas, onde se chega ao cúmulo de julgar alguém pelas roupas que veste.

Quem planta sorrisos e gentileza recebe alegria e gratidão, e vê muitas portas da vida se abrindo naturalmente, através da força estupenda da bondade.

O bem é muito mais forte que o mal.

O bem responde com muito mais rapidez e segurança às tantas e tantas questões que a existência nos apresenta, na forma de desafios.

Ser gentil, ser cordial é receber a vida e as pessoas de braços abertos, sem medo de agir no bem.

Ser bem educado é contribuir com a semeadura do amor na face da Terra, substituindo, gradualmente, tantas ervas daninhas que ainda existem nesses campos, por flores e mais flores de felicidade.

Ser fraterno, em todas as ocasiões, é vestir-se com este que é um dos mais belos trajes da alma: a educação.



Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria desconhecida.

Em 14.06.2011.







Pedimos a sua atenção para o fato de o Momento em Casa não ser um serviço diário. São enviadas, em média, 3 a 4 mensagens no decorrer da semana. As mensagens do Momento Espírita também estão disponíveis em cd's e livros, em http://www.livrariamundoespirita.com.br/.




15 junho, 2011

ALMAS SEM BOTOX






Realmente eu não sei como você está,

nem sei exatamente quando esta mensagem será lida.

Pode ser que seja o momento mais feliz da sua vida,

e eu te peço: saboreie esse momento, não se perca em bobagens,

curta cada segundo desse instante mágico.



Mas, pode ser que você esteja na maior indecisão,

naquele momento em que um dia, todos nós vivemos,

onde nada parece fazer sentido, onde tudo parece levar ao fim,

ao fim de um sonho,

ao fim de uma experiência,

ao fim de uma comodidade,

de uma segurança.

Parece que o chão se abriu aos seus pés e você se sente caindo...

E eu te peço, acalme-se e busque forças nas POSSIBILIDADES.



Possibilidades, são dons que carregamos e nem sempre usamos,

que quase sempre são despertos quando passamos por um aperto,

parece que a dificuldade é uma grande usina geradora de forças,

uma professora, ainda que meio rude, que ensina sem desanimar.



Possibilidades são chaves mágicas que abrem portas desconhecidas,

no lugar mais desconhecido do próprio indivíduo: ele mesmo!

É na dificuldade que começamos a nos conhecer de verdade,

sem mentiras, sem falsas aparências, e é nessa hora também,

que reconhecemos nossos verdadeiros amigos,

os parentes que estão realmente ligados em nossa história,

é nesse momento estranho, de dor, de ressentimento,

que desabrocham amizades eternas, e valores indestrutíveis.



Para a alma não há Botox, nem maquiagem definitiva,

ela é o que é, sem adjetivos secundários.

É nela que residem as Possibilidades desconhecidas.

E a alma fala todos os dias com cada de um nós,

seja na inspiração de uma receita, uma letra de música,

uma nova fórmula para se fazer melhor o que quer que seja,

seja na intuição ao indicar um caminho,

aquele que normalmente você nem seguiria.



E é ali, bem na curva da vida, na esquina do tempo,

onde você já cansado de chorar, pára para respirar,

que o milagre das Possibilidades acontece,

e você sente que tudo começa a mudar.



Seja você sempre!

Do jeitinho que é, com pequenas mudanças para melhor, sem querer ser o que não é para ser,

nem transparecer o que não existe em você.

Você é único, divino, ser especial,

DNA de Deus, razão de muitas vidas,

que agora se unem em oração,

pela sua vida, pela sua vitória,

para que as POSSIBILIDADES se apresentem agora,

e revelem ao mundo o quanto você vale!



Tudo começa mudar nesse instante.

creia!



Paulo Roberto Gaefke

05 junho, 2011

DO FUNDO DA MINHA ALMA - MARIA ISABEL CARAPINHA







Faz alguns anos eu vivia seguindo o sistema doentio ao qual a maioria das pessoas ainda se encontra presa hoje.

Acreditava como se fosse lei que tudo era difícil de ser conseguido, que exigia muito sacrifício e abnegação e não conseguia encontrar meu equilíbrio pessoal.

Vivia me protegendo de sistemas empresariais corruptos e doentes, que só enxergam o poder e realização pessoal isolada, onde o todo não importa. Neste sistema, o ser humano e sua essência não tem espaço e eu vivia ainda com medo e receio que o amanhã não fosse bom, porque não confiava em nada...

Estava de fato contaminada por uma massa de seres humanos que ainda se encontravam adormecidos, que não conseguiam perceber que há algo maior e melhor para ser vivido... e sem nenhum sacrifício.

Passei por experiências ruins que, hoje entendo, foram fundamentais e me conduziram à transformação interior.
Sempre tive uma intuição muito forte e foi ela, sem dúvida, que foi responsável e me conduziu na caminhada evolutiva.
Conquistando meu equilíbrio pessoal, pude ver que as coisas mais singelas que assistimos em filmes "água com açúcar" podem existir e são tangíveis. Aprendi que amar e ser amada é possível -e ainda sem dor nem maus momentos-, e que esse sentimento pode fazer parte de sua vida num movimento intenso a preencher seu ser. É um sentimento maravilhoso que simplesmente acontece e se desenvolve quando estamos preparados.

Aprendi também que a tranquilidade e a paz interior podem fazer parte do meu dia-a-dia e não somente em determinados e raros momentos como acontecia antes; desenvolvi ainda uma enorme confiança interior e percebi que a vida é e pode ser muito fácil de ser vivida... Peça pelo pão nosso de cada dia e deixe o seu trabalho fluir, sempre amando o que faz.

Nesta minha trajetória de mudanças, tive como ferramentas a Radiestesia e a Mesa Radiônica e meus amigos, -que conto nos dedos, mas cada um sabe a importância que tem-, de minha família e, em primeiro plano do meu marido, que em tudo me apoiou para que esta transformação de vida se tornasse tangível.

O anseio de mudança é real quando você percebe que vem de dentro; este momento chega quando você observa que não pertence mais àquele meio em que se encontra, seja no seu relacionamento, na sua família, com os seus amigos ou no emprego que tem.

Este caminho de mudança requer esforço e determinação, pois em determinados momentos, aqueles vícios antigos de comportamento tendem a nos corromper, limitando o acesso a novas possibilidades. Requer ainda que você abandone suas máscaras, esqueça os seus medos e confie e se entregue ao Universo.

Esqueça que um dia foi importante agradar os outros, porque, na realidade, isso nunca foi importante. A única pessoa que você tem que agradar é você mesmo.

Não espere ser atendido em seus desejos somente pelo pensamento, expresse aos outros o que lhe é importante, diga ao mundo o que deseja para sua vida. Ria de seus defeitos e nunca se condene porque deixou de fazer algo, vá e faça!

No momento em que atingir seu equilíbrio pessoal, perceberá de maneira clara que alguns termos que podem parecer estranhos, como "amor incondicional", são possíveis e podem ser vivenciados; sentirá amor verdadeiro pelas pessoas sem esperar nada em troca, perceberá ainda que bens materiais são importantes, mas não são a coisa determinante e, neste momento, então, a mágica do dinheiro poderá se fazer presente em sua vida, pois o Universo fornecerá tudo que for necessário, trazendo muito mais do que você espera, acredite!

Neste momento de pleno equilíbrio, você sentirá de forma bem real o seu poder pessoal, a sua Divindade como imagem e semelhança do Criador, sentirá a autoconfiança que se manifestará em sua vida como a paz Divina. Este é um estado que favorece acontecer tudo que for preciso.

Uma das coisas importantíssimas de evitar nesta fase é a tendência a criticar, pois estamos de alguma forma nos diferenciando dos outros e tendemos a julgá-los.
Neste momento, há um perigo sutil: criticar o outro faz com que você absorva para sua vida as piores características dele; portanto, tente trazer as pessoas que estão à sua volta esse novo padrão vibracional, nunca se achando superior a alguém.
Estamos neste mundo em uma única vibração, nos complementamos no todo, então, quanto mais pessoas conseguirem atingir esse patamar de equilíbrio pleno, melhores serão as chances de um amanhã diferente.

Quando você atinge este equilíbrio pessoal, eliminando os bloqueios energéticos que impedem que sua energia pessoal flua, perceberá o motivo real de sua missão aqui na Terra e, então, conseguirá realizar-se como pessoa. Não mais se sentirá dominado por qualquer situação ou pessoa e se perceberá o senhor de sua vida e passará a expressar em essência o que há de melhor dentro de si.

Pela lei universal da ação e reação, ou a do ritmo -fluxo e refluxo da maré-, perceberá que as pessoas passarão a agir com você de acordo e pessoas que não têm nada a ver com a sua essência hoje se transformarão, ou deixarão de fazer parte de sua vida.

Neste momento de plenitude emocional, é muito importante que policie seus pensamentos e emoções; não convide pensamentos negativos para bater papo, eles já fizeram parte de sua vida no passado e nada de bom lhe trouxeram. Esses vícios antigos de comportamento por algum tempo ainda tentarão bater na porta de sua mente, até o dia em que de maneira automática não mais farão parte de sua vida.

Você passará a entender todas as situações que vivencia como lições e aprendizados diários; compreenderá de maneira mais clara o comportamento dos que lhes são próximos e perceberá que somente você está apto a dar início a uma vida diferente para si mesmo e que pode, sim, iniciar o processo de transformação também dos que estão ao seu lado.

Vamos criar um Mundo diferente, onde a maldade, a ignorância, a violência, a falta de amor e a atitude de prejudicar os outros em benefício próprio deixem de existir. Vamos, sim, amar de maneira incondicional a tudo e a todos, tendo sempre a certeza absoluta que tudo está sendo colocado em Ordem Divina!

01 maio, 2011

ESPELHO – PORTAL PARA SI-MESMO - Texto de Paulo Urban, publicado na Revista Planeta, edição nº 364, janeiro/2003






Paulo Urban é médico psiquiatra e Psicoterapeuta





Um dos mais importantes objetos mágicos a ser considerado é o espelho. Dada à sua particularidade de refletir imagens, perfeitas ou deformadas, iluminadas ou à penumbra, no espelho colhemos aquilo que somos, bem como tudo aquilo que deixamos de ser.





Segundo tradições esotéricas orientais e ocidentais, o espelho é instrumento da iluminação, fazendo-se presente quase que invariavelmente nos rituais iniciáticos preliminares, destinado a causar certo medo e estranheza a cada um dos neófitos que, à luz de velas, diante dele se coloca, na pretensão de vencer os terrores do primeiro umbral e penetrar definitivamente na longa senda do autoconhecimento.





À frente do espelho, inevitavelmente, o homem se depara consigo mesmo, e pode perscrutar-se além da simples fachada com que se mostra ao mundo. Isto porque o espelho, assim concebem os místicos, parece estar dotado de vida própria, capaz que é de instigar nosso psiquismo e estimular o intelecto a perceber melhor os detalhes da alma, ocultos por detrás da “face aparente” inserida no mundo sensível, projetada como imagem.





Evidentemente, com o intuito de ressaltar essa incrível propriedade comum aos homens e ao espelho, optamos por introduzir o leitor a este tema por uma via, antes de tudo, de natureza reflexiva. Mas no que consiste, de fato, a reflexão? Além da simples replicação de um objeto real por meio de sua imagem, a reflexão, filosoficamente, representa a capacidade exclusivamente humana de pensar o próprio pensamento, isto é, de abstrair-se e ao mesmo tempo aprofundar-se em torno de uma questão. Refletir, mais do que um exercício lógico, meramente racional, leva-nos a uma via de ascese espiritual, pela qual podemos alçar-nos a um estado psíquico transcendente, superior àquele onde comumente trabalha o intelecto.



A palavra reflexo se constrói a partir verbo latino flectere, que se traduz por “fletir” ou “curvar-se”, e pelo antepositivo re, que expressa aquilo que se faz “novamente” ou “para trás”. Refletir, portanto, etimologicamente é “inclinar-se para trás”. Jung bem definiu que refletir não deve ser entendido como o simples ato de pensar, senão como uma atitude; a reflexão nos permite regrar com prudência nosso relativo arbítrio frente às leis da natureza. Pela reflexão podemos aprofundar as experiências ou descobertas que vivenciamos, sobre as quais deitamos antigas impressões colhidas em nosso caminho, de modo a confrontarmos o velho com o novo em busca de um denominador comum seguro que nos facilite o passo adiante na jornada. Pela reflexão, buscamos compreender o outro lado de todas as coisas, seja do ser, do Universo, ou do oculto inacessível.





Não por acaso os antigos se valiam duplamente do espelho, fosse para o exercício de práticas mágicas, fosse para, por meio dele, observar o firmamento. A profissão de olhar o céu é das mais arcaicas; dela dependeu a sobrevivência das culturas agrárias que primeiro se estabeleceram. Os caldeus, por exemplo, precursores da astrologia, já a praticavam bem antes de 6 mil a.C. Os egípcios igualmente aprenderam a ler o céu e estudar o comportamento dos astros por meio de amplos espelhos d’água, fossem estes a superfície de lagos serenos ou o diâmetro circundado por tachos de bronze amplos o bastante para permitir o estudo de determinada área celeste.





Os gregos assimilaram dos egípcios essa técnica e aplicavam o verbo teorém à arte de observar o céu, sendo chamados de teoreticós os sábios que teciam comentários e especulavam acerca dos astros, de onde derivou o termo “teorema”. O correlato latino a designar essa prática é considerare, que originalmente significava “examinar com cuidado e respeito religioso os astros, visto que o vocábulo provém de sidus (estrela). Curiosamente, considerare é sinônimo de speculare, verbo latino dedicado aos “especuladores”, isto é, àqueles que refletiam e teorizavam acerca de algo, principalmente sobre questões astronômicas e astrológicas, já que estas ciências não se diferenciaram senão recentemente, a partir do século XVII.





Dessa digressão semântica resta a oportuna lição: sempre que consideramos alguma coisa, em verdade nos curvamos humildemente para melhor refletir sobre questões que lhe são inerentes; de mesmo modo, considerar alguém é levar em conta a luz do outro; ademais, a consideração “em si” se revela uma sábia receita capaz de universalmente ensinar a humanidade, inspirada pelas luzes do céu, a respeitar-se como um todo. Considere o leitor, por favor, esta questão. Reflitamos juntos sobre o nosso tempo.





Reforcemos os pressupostos mistérios desse artefato místico: cumpre dizer que ninguém sabe com exatidão qual a origem do espelho. Sabe-se, é claro, que está atrelada à descoberta do vidro que, segundo Plínio (23 a 79 d.C.), ocorreu primeiramente entre os fenícios, conforme nos relata o cronista no livro 36 de sua Enciclopédia.





Mercadores fenícios voltavam em caravana do Egito e marchavam pelo deserto em direção a Sídon, quando se detiveram às margens do rio Belus para pernoitar. Traziam em seus camelos um farto carregamento de natrão, mistura rica em carbonato de sódio, com a qual tingiam suas lãs. Ao acenderem o fogo, valeram-se dos maiores pedaços de natrão para, sobre eles, apoiar os vasos com a caça a ser cozida. Após comerem, adormeceram ao pé do fogo. Pela manhã, em lugar dos blocos de natrão, encontraram pedras brilhantes e transparentes, como se fossem enormes pedras preciosas, frente às quais se prostraram acreditando que a transformação fosse obra de algum gênio ou divindade. Mas Zelu, sábio chefe, percebeu que sob os blocos de natrão a areia (rica em óxido de silício) desaparecera. Ordenou que se reacendesse o fogo e durante toda a tarde repetiram o processo da queima, até que viram escorrer das cinzas da areia e do natrão uma esteira de líquido rubro fumegante. Antes que a mistura incandescente se solidificasse, Zelu a plasmou habilmente com sua adaga, moldando um balão transparente diante da estupefação de todos: havia sido descoberto o vidro!





Achados arqueológicos, entretanto, revelam contas de vidro manufaturadas, fabricadas pelos egípcios antes mesmo de 3.000 a.C., na transição da idade do cobre para a do bronze. Acredita-se que os egípcios já dominassem a técnica de soprar o vidro por volta de 1.400 a.C., a partir da XVIII dinastia. Tal segredo, inicialmente propriedade exclusiva dos sacerdotes de Tebas, está evidentemente arraigado aos primórdios da alquimia. Tebas tornou-se o grande centro de produção de pérolas de vidro coloridas, a imitar pedras preciosas, pertencentes aos tesouros de muitos faraós e comumente encontradas nos túmulos de Tel-el-Amarna. Cite-se ainda que o corpo de Ramsés II, que reinou de 1290 a 1224 a.C., repousava num cofre de vidro, conforme o encontrou o arqueólogo Gaston Maspero, em 1886.





Certo também é que fenícios e egípcios fabricavam espelhos de bronze desde 2000 a.C. e seu uso sempre esteve atrelado à prática da magia. Uma das mais arcaicas técnicas de adivinhação envolve o uso do espelho mágico. Não é à toa que o moto restou imortalizado em vários contos de fadas, mais destacado na história de Branca de Neve, na qual a bruxa madrasta tem o poder de invocar, por meio de imprecações, o gênio do espelho que lhe permite saber tudo o que ocorre à sua volta.





Tal procedimento, que remonta a certas classes de iniciados do antigo Egito, também era praticado entre as tribos magistas do velho mundo persa e, particularmente, alcançou fama entre as temíveis feiticeiras da Tessália, que teriam ensinado ao sábio Pitágoras (século VI a.C.) sua arte. Entre os gregos, tal técnica recebeu o nome de catoptromancia, ou seja, adivinhação (mantéia) pelo espelho (cátoptron). Pitágoras, certas lendas apoiam, possuía seu espelho mágico. Expondo o instrumento sob a luz da lua cheia, absorto pelo reflexo, o mestre deixava sua mente divagar e, assim, vislumbrava o futuro.





Práticas mágicas semelhantes valem-se do espelho como instrumento para interpelar os mortos, buscando por meio dele encontrar esclarecimentos banhados na sabedoria ancestral. O inglês John Dee (1527-1608), médico alquimista e filósofo, polêmica figura elisabetiana, dizia praticar a necromancia e invocar os espíritos através de um espelho negro, conforme fora iniciado nessa arte pelo ocultista Edward Kelly, falecido em 1597. Anos após a morte de Dee, publicou-se seu livro de memórias, intitulado “Verdadeiro e fiel relato sobre quanto houve por muitos anos entre o Dr. Dee e alguns espíritos”.





O espelho, a história do ocultismo nos revela, pressupõe-se estar dotado de propriedades mágicas a nos revelar um portal para realidades outras, invertidas ou transcendentes. Quem primeiro explorou o tema na literatura foi o matemático Charles L. Dodgson (1832-1898), imortalizado sob o pseudônimo de Lewis Carroll, autor de Alice no País do Espelho, que, sob o véu de uma história infantil, soube guardar toda uma profunda alegoria hermético-alquímica, assunto que poderemos tratar noutra matéria.

Na mitologia, contudo, quem primeiro se projetou para dentro do espelho foi o jovem Narciso, o mais belo dos mortais, filho do rio Cefiso e da ninfa Liríope. Mas competir com os deuses em beleza era afronta imperdoável, veleidade a ser tragicamente punida. Certa feita, sedento, ao curvar-se para tomar água na profunda fonte de Téspias, Narciso, sem se dar conta de que via sua própria imagem, apaixona-se pelo rosto refletido e mergulha em busca dele para nunca mais voltar. Claro, o mito aponta para as armadilhas da vaidade e do solepcismo (o eu como única realidade), mas uma outra leitura pode ser aqui proposta, a espelhar a mais comum.





Narciso, cuja sina assemelha-se muito com a de Édipo, pois também ele se perde no exato momento em que se encontra, mergulha na fonte nem tanto por excesso de vaidade, mas sim por levar ao extremo seu instinto de reflexão, do qual toda alma está dotada. Isto é, o jovem se atira em direção a si mesmo, sem maiores critérios que o protejam nesse ato natural desenfreado de querer se conhecer profundamente. Narciso é vítima de seu arroubo de atividade endo-psíquica. Ele se afoga em sua própria reflexão; alcança ousadamente o portal da transcendência, mas se deixa perder ou diluir nas águas do grande inconsciente. A língua francesa, precisamente, expressa essa verdade: espelho em francês se diz miroir, palavra derivada do verbo mirermirage (miragem), que bem expressa a ilusão que nos cerca, implícita em nossa realidade, no mundo sensível em que vivemos, mera imagem imperfeita do mundo divino que nos é absolutamente transcendente. (ver, olhar atentamente), de onde se extrai a palavra





De certo modo, Narciso traduz na escala microcósmica e humana o eterno mito da alma que, desejando conhecer-se, resolve projetar-se na matéria, mero reflexo de si mesma, estado este capaz, entretanto, de lhe oferecer experiências novas que sua condição divina e pura nunca lhe daria.





Mergulhando no espelho da vida, de Narciso ou de Alice, a alma assume seu desejo pelo corpo e em sua divina vontade aceita humildemente sofrer a experiência da natureza humana; admite trocar o Uno pela multiplicidade, o universal pelo particular, e satisfaz-se em separar-se de seu eterno estado imponderável para assumir a angustiante e breve sina da existência temporânea.





O tema da alma, considerada como espelho por Platão e Plotino, faculta ao Uno Absoluto expressar-se por intermédio de cada criatura, isto é, permite a Deus que se visualize nas múltiplas faces sobre as quais Ele projeta sua imagem, e que se realize ao provar da própria criação. Consoante a máxima alquímica que diz que assim como é em cima, é embaixo, assim como é embaixo é em cima, para assim realizar os milagres da unidade, os místicos balizam que meditar regularmente em frente de um espelho, revela-se uma prática de cotidiana sabedoria. O espelho nos aproxima de nós mesmos, provoca o ego a mergulhar em seu próprio abismo e o conduz, a partir disso, pelo portal do imponderável que, uma vez cruzado, nos eleva a outros níveis de expressão e consciência.





Claro, não devemos nos deixar tomar pelo instinto reflexivo patológico de Narciso, mas se soubermos experimentar com leveza e intuição a densidade do mundo espe(ta)cular de Alice, poderemos, sem maiores riscos de perder o senso de realidade, explorar sabiamente todas as portas ocultas que ela contém. Nada melhor que um espelho para nos colocar diante e bem dentro de nós mesmos!





Fonte: Amigo da Alma



26 janeiro, 2011

Dê alimento para sua alma




Há algumas semanas, li o artigo de uma jornalista que defendia o poder de comunicação das geladeiras. Ela dizia que essa “tela branca”, por ser uma parada obrigatória para saciar fomes e sedes diversas, é o lugar ideal para avisos, lembretes e - por que não? - inspirações.
Ela extraiu alguns ensinamentos do site do Templo Zu Lai (www.templozulai.org.br), do Monastério Fo Guang Shan. Com isso, ela quis mostrar às pessoas os benefícios de consumir, todos os dias, alguns conselhos simples, práticos e cheios de sabedoria. Eu assino embaixo e reproduzo, a seguir, parte da lista.
Sugiro a você que também monte a sua, com as frases que mais têm a ver com a sua vida. Desse modo, você irá garantir um bom alimento diário para sua alma.
• Descubra seu maior defeito e disponha-se a corrigi-lo.
• Aprenda a se adaptar à pressão externa e não se deixe afetar por ela.
• Seja ativa e destemida. Sempre pense antes de agir.
• Ser corajoso e virtuoso é ter a capacidade de admitir os próprios erros.
• Aprenda a aceitar perdas, falsas acusações, contratempos e humilhações.
• A cada quatro ou cinco anos, faça uma viagem sozinha.
• Não bata de frente com as coisas. Aprenda a arte de ser sutil.
• Não há êxito sem persistência, diligência e determinação.
• Tenha autoconfiança, expectativas em relação a si mesma e metas.
• Não desperdice o seu tempo. Faça planos e use o tempo com sabedoria.
• Seja sempre sensata, pois a sensatez é imparcial e igual para com todos.
• Lembre-se dos erros cometidos. Tenha-os em mente e não os repita.
• Seja qual for a sua função, desempenhe-a bem. Não olhe para os lados.
• Lute por seus objetivos.
• Faça tudo com boa intenção, verdade, sinceridade e beleza.
• Não se apegue demais ao passado. Olhe sempre para a frente.
• Desenvolva a compreensão correta das coisas. Não se deixe levar cegamente pelo que os outros dizem.
• Não faça intrigas nem espalhe rumores. Não se deixe influenciar.
• Aprenda a desenvolver sua mente, reformar seu caráter, recuar e dar guinadas na vida.
• Não culpe os céus nem os outros por sua infelicidade. Tudo tem sua causa e seu efeito.
• Pense no bom e no belo ao invés de pensar no que é triste e penoso para você.
• Leia dois livros por mês.
• Cultive hábitos regulares de sono e alimentação.
• Pratique exercícios físicos.
• Faça meditação por, pelo menos, dez minutos todos os dias.
• Passe pelo menos metade de um dia sozinha, uma vez por semana.
• Aprecie a sua vida, cuide dela e não a maltrate jamais.
• Demonstre coerência entre atitude e pensamento. Não seja iluminado na teoria e ignorante na prática.
• Não fique pedindo ajuda aos outros. Busque ajuda dentro de si mesma.
• Cultivar bons hábitos é a melhor maneira de manter uma vida saudável.
• A mente otimista é contemplada com um futuro brilhante.
Um gesto tão simples e que, no entanto, nos nutre interiormente... Está aí a "dica".

Recebido por e-mail.

04 janeiro, 2011

JANELAS DA ALMA




Joanna de Ângelis


O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que coam os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias. 

De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter a significação que nem sempre corresponde à realidade. 

Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz. 

Variando a cor das lentes, com tonalidade correspondente desfilarão diante dos olhos as cenas. 

Na área do relacionamento humano, também, as ocorrências assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas. 

É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos, de modo a equilibrar os fatos em relação com eles. 

Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de bem observar os sucessos da vilegiatura humana.  

De acordo coma a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis.

Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando a usança de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação. 

Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura, a fim de acompanhares o mundo e o seu séquito de ocorrências. 

O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade, abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade. 

A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem. 

O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem. 

A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade, levantando os caídos e segurando os trôpegos, de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti. 

As janelas da alma são espaços felizes para que se espraie a luz, e se realize a comunhão com o bem. 

Colocando os santos óleos da afabilidade nas engrenagens da tua alma, descerrarás as janelas fechadas dos teus sentimentos, e a tua abençoada emoção se alongará, afagando todos aqueles que se aproximem de ti, proporcionando-lhes a amizade pura que se converterá em amor, rico de bondade e de perdão, a proclamarem chegada a hora de ternura entre os homens da Terra. 

Psicografia de Divaldo P. Franco - Momentos de Felicidade

11 dezembro, 2010

COM OS OUVIDOS DA ALMA


O fato é narrado por uma mulher que vivia nas colinas da Escócia. Era inverno, próximo ao Natal.



Roberto, o marido, era ferreiro. Ela, mãe ocupada, cuidava dos quatro filhos.



O menor era o que lhe dava maior preocupação. É que o garoto era surdo. Ela ficara muito doente durante a sua gestação e o menino nascera com aquela deficiência.



De resto, era esperto e depressa aprendeu a ler. Para manter a conversação com a mãe e os irmãos, André se servia de gestos e, como aos cinco anos já sabia escrever muitas palavras, usava papel e caneta para expressar aquilo que não conseguiam entender por seus gestos.



Naqueles dias, próximos ao Natal, o marido foi chamado para prestar serviços em uma fazenda distante e ela ficou só com as quatro crianças.



A tempestade veio e durou dias. A caixa de lenha ao lado do fogão começou a ficar vazia.



Na quase véspera do Natal, Elizabeth agradeceu a Deus pela colheita do verão ter sido boa, pelas compotas terem dado certo e pela boa caça do seu marido. Assim, eles teriam o suficiente para se alimentarem até acabar aquele inverno ingrato.



Mas a lenha acabou. Ela reuniu os quatro filhos, calçaram e se agasalharam bem e saíram quando o tempo deu uma trégua.



Os pequenos Mary, Alice e André brincavam entre as árvores, felizes por estarem fora de casa. Corriam de um lado para outro, enquanto ela e o filho maior, de 15 anos, cortavam troncos em pedaços pequenos e colocavam no trenó.



Num piscar de olhos, o tempo mudou. O vento soprou forte e a neve caiu violenta. Ela conseguiu encontrar as duas meninas mas não o pequeno André. Por mais que chamasse, ele não a ouviria. Era surdo.



Voltaram para casa a fim de não congelarem. As horas angustiosas passaram lentas. Quando a tempestade acalmou, ela se preparou para ir procurar o menino.



Estaria vivo? Teria caído, cego pela tempestade, em algum penhasco?



Então, alguém bateu na porta. Era o pequeno André, sorridente.



Entre gestos e escritos no papel explicou que logo que a tempestade começou, ficou agachado atrás de um tronco.



Depois, escreveu que ouviu chamar o seu nome: André. Foi até onde a voz vinha e não tinha ninguém.



Então ouviu de novo: Venha, André, venha para casa.



Continuou caminhando, seguindo a voz, embora não visse ninguém. E assim foi até chegar em casa.



Então a mãe caiu de joelhos, abraçou seu tesouro e agradeceu a Deus por ter enviado um mensageiro Seu, aquela voz para guiar o seu filho.



Uma voz que não vinha do mundo exterior, mas que se fez ouvir na alma do pequenino André. A voz dos invisíveis.



* * *



O Natal é uma época de esperança, de confiança e de fé. É uma época de acreditar no invisível e em maravilhas que o Divino Pai nos proporciona.



Uma época em que os Mensageiros de Deus cantam, falam e os surdos ouvem as Suas vozes.



Natal é o momento em que a Terra toca os céus, aquieta os seus gritos para ouvir o excelso canto da esperança.



Jesus nasceu em Belém. A esperança se renova. Comemoremos.







Redação do Momento Espírita, com base no conto Tempestade nas montanhas, de autoria ignorada. Em 10.12.2010.



Tenham um dia repleto de paz!



Beijos em vossos corações

02 dezembro, 2010

Minha Alma Antiga

Minha alma antiga de memória infinita,

percorre o espaço tempo dos mundos

em milimétricos segundos.

traz nela muitas vidas,

traz nela lições aprendidas,

traz nela remissões

e redenções a serem seguidas.

Minha alma antiga de memória infinita,

tem mistérios que só ela conhece;

não tem idade,

não tem sexo,

caminha entre os eixos da eternidade

e, neste ato contínuo de viver,

atos raros e reflexos em lapsos,

fazem-me lembrar um momento...

Fazem-me sentir a falta de um certo querer..

Minha alma antiga

vinda de memória infinita,

vive nova vida...

Durante o dia, presa em terrena matéria,

aguarda a noite que a liberta

para resgatar parte de sua história

na realidade etérea.

Minha alma antiga de memória infinita,

viaja... não sei por quanto tempo ainda.

Talvez seja sua sina

perseguir algo que não atina,

alcançar o entendimento uno da vida

em filosofias que criam e recriam conceitos

na busca incessante de um mundo perfeito?

Ou, quem sabe, o de perseguir sua metade,

a que se perdeu no caminho,

a que está contida,

à espera,

em sua presumível realidade.

Regina SantAnna

Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2007

Código do texto: T392427