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23 julho, 2014

MENSAGENS E REFLEXÕES - Brahma Kumaris e Outros


Artes da vida
Ser completo é quando cada ação torna-se uma arte na sua forma prática. E quais são as artes da vida? As artes de: permanecer despreocupado, lidar e se comportar, manter-se saudável, ensinar, escrever, dar sustento, progredir, fazer as pessoas sorrirem, aceitar, governar, fazer o melhor do desperdício, transformar, liderar, ganhar o coração dos outros, dar uma palestra. Ao praticar esses 16 exemplos de artes, cada ato pode se tornar uma atividade divina.
Equilíbrio
Equilíbrio é a habilidade de olhar para a vida a partir de uma perspectiva clara - fazer a coisa certa no momento certo. Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável. Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla. Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo.
Discernir
Discernir é entender a essência, é diferenciar o ouro autêntico do falso. Sempre que tiro alguma coisa de seu contexto, deixo de entendê-la e começo a distorcê-la. Todas as situações têm suas raízes históricas, seus efeitos presentes e suas implicações futuras. Discernir é considerar as inter-relações de todos os ingredientes de uma situação. Sem essa perspectiva sou impelido a proteger meus interesses, sou consumido pelo calor do momento, deixo de ver as conseqüências dos meus atos.
Coragem
Não é fácil nadar no mar. Mesmo que você seja capaz de atravessar as ondas, o que haverá além delas? Todos os tipos de criaturas; peixes grandes e pequenos. Seus próprios pensamentos e traços indesejáveis de personalidade. Coisas velhas que aparecem na frente de você. Se isso acontecer, não fique afetado ou distraído com elas. Tenha coragem. Vá além de tudo isso ao praticar a consciência de ser uma alma. À medida que você mergulha fundo, maravilhas são encontradas.
Doçura
Doçura é a maestria dos sentidos. Olhos que vêem no fundo das coisas, ouvidos que escutam o coração das coisas, lábios que falam apenas a essência das coisas. Doçura é o resultado de uma longa jornada interior ao âmago da vida e a habilidade de lá permanecer e observar. A doçura procura pelo bem nas coisas, pois no seu coração reside a convicção de que o bem existe em algum lugar em tudo, é só ter paciência para descobri-lo.
Deus
Deus está em toda a parte ao mesmo tempo, em redor de você, dentro de você!Jamais você está desamparado. Nunca está só. Não permita que a mágoa o perturbe, procure manter-se calmo, para ouvir a voz silenciosa de Deus dentro de você. Assim, poderá superar todas as dificuldades que aparecerem em seu caminho e, há descobrir a Verdade que existe em todas as coisas e pessoas. (C.Torres Pastorinho)
Um antigo provérbio diz:
"Se semeio urtigas, não posso colher rosas".
É através das minhas ações que o mundo reage a mim.
Elas plantam as sementes do meu futuro.
Se tenho atitudes raivosas, obtenho respostas raivosas.
Se desempenho ações pacíficas, os resultados são pacíficos.
É através das ações que eu crio fortuna ou infortúnio.
Deveríamos deixar que todas as nossas ações fossem para edificar ao invés de violentar.
Ser humano
Verdadeiros seres humanos são aqueles que tratam seus companheiros com equanimidade, sinceridade, gentileza, tato, respeito e amor. Isto é espiritualidade na ação. A pessoa que corporifica tais qualidades torna-se próxima à natureza de Deus. A distância entre a verdade dela e a verdade Dele é de apenas um pensamento.
Autoestima
Se um dia alguém fizer com que se quebre a visão bonita que você tem de si, com muita paciência e amor reconstrua-a. Assim como o artesão recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão, sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante, você é a sua criação mais valiosa. Não olhe para trás. Não olhe para os lados. Olhe somente para dentro, para bem dentro de você e faça dali o seu lugar de descanso, conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si. O mundo agradecerá o seu trabalho.
Preocupações
Quando aprendemos a ser despreocupado, ficamos desapegados dos problemas e naturalmente felizes. Ao criarmos o hábito de pensar apenas o que é necessário, haverá uma grande economia de pensamentos e energia. Por outro lado, se o nosso tempo é perdido em pensamentos inúteis, o intelecto torna-se fraco e cansado. Assim como as preocupações inibem e ocultam os nossos talentos, a calma na mente inspira e desenvolve a criatividade.
Amor (Incondicional)
(filme Sempre ao seu lado - Ricahrd Gere e Hachiko)
O amor é confundido com desejo, apego, dependência e identificação. São essas quatro ilusões que nos mantêm na busca por amor. O que leva tempo para percebermos é que a jóia da coroa do espírito humano não pode ser encontrada em qualquer lugar, mas em nosso próprio coração. Procurar por amor é evitar o amor. Como podemos conhecer o amor quando continuamos a acreditar equivocadamente que precisamos adquiri-lo, merecê-lo ou até mesmo ganhá-lo? Intuitivamente sabemos que é só através da abertura do coração e na doação de nós mesmos, sem condição, que o amor pode começar a fluir para dentro e através de nossa vida.
Em um mundo melhor, a lei natural é a do amor e em uma pessoa melhor, a natureza natural é amorosa. Amor é o princípio que cria e sustenta as relações humanas com dignidade e profundidade. O amor espiritual nos leva ao silêncio e este silêncio tem o poder de unir, orientar e liberar as pessoas. Quando o amor é aliado à fé, isso cria uma forte fundação para iniciativa e ação. O amor é um catalisador para mudanças, desenvolvimento e conquistas. - Mike George (texto adaptado)
Pensamentos
Qualquer pensamento que você tenha para o seu próprio progresso, Deus o tornará possível. Qualquer pensamento que você tenha para o benefício do mundo, Deus o tornará prático. Apenas crie pensamentos do tipo certo e assista a maravilha. Não se canse com outros pensamentos. Nossa vida deveria ser para dar felicidade aos outros e boas vibrações para o mundo inteiro. Quando temos pensamentos puros e elevados, recebemos cooperação amorosa uns dos outros. O que pensamos torna-se prático.
Especialidade
Quanto mais você usar suas especialidades através dos pensamentos, palavras e ações, mais elas crescem. Usar as especialidades para servir os outros significa receber milhares de frutos de apenas uma semente. Por isso procure não manter suas especialidades na forma de semente, mas plante-as no solo do serviço de beneficiar o mundo. Assim você se tornará a personificação desse fruto, ou seja, a personificação do sucesso.
Cura
A  cura   do   temor   está   na   consciência   da   coragem;   a   cura   da   ira,   na consciência da paz; a cura da fraqueza, na consciência da força; a cura da doença, na consciência da saúde. Doenças   físicas  ou mentais   renitentes   têm  sempre  uma  raiz  profunda no subconsciente.  A doença poderá ser curada ao se arrancar as suas raízes escondidas. É por isto que todas as afirmações da mente consciente devem ser suficientemente  impressivas para permear o subconsciente,  o qual,  de volta, automaticamente, influencia a mente consciente. As fortes afirmações conscientes   têm,  assim,  uma  reação  sobre a mente e o corpo através  do agente do  subconsciente.  As afirmações  ainda mais   fortes alcançam,  não somente o subconsciente, mas também a mente superconsciente – o depósito mágico dos poderes miraculosos.
Fonte: site Brahma Kumaris 
A Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris, conhecida no Brasil como Organização Brahma Kumaris, é uma entidade não governamental criada na Índia em 1937, com o objetivo de promover valores humanos, morais e espirituais universais. Está presente de forma oficial em 103 países e desenvolve atividades, sem sedes, em outros 25 países. Realiza um amplo espectro de programas educativos que melhoram a qualidade de vida dos indivíduos, da família e da comunidade, independente de cor, gênero, idade e tradições políticas e religiosas.
Exibições: 212

HÁ COISAS MAIS IMPORTANTES NA VIDA QUE REUNIÕES....

 



Definições não bastam 

Havia mais ou menos uma hora que a reunião não saía do ponto sobre qual dos componentes oferecia menos resistência elétrica. As profundas olheiras refletiam as longas horas que eles estavam debruçados sobre o enigma da supercondutividade, ao qual já dedicavam vários meses de experimentação e discussão.
O líder do grupo, um renomado cientista por seus impecáveis métodos investigativos dos segredos da físico-química sugeriu:
— Estou certo de que, se conseguíssemos aumentar a quantidade de bismuto no composto de óxido, chegaríamos mais perto dos resultados desejados. Pensem no que o sonho da resistência zero nos traria — chips ultra-rápidos, eletromagnetos superbaratos e tantas outras coisas.
Sua mente vagava pelas fantásticas possibilidades quando um colega interrompeu-o.         
— Pessoalmente, estou mais inclinado pelo estrôncio. Seja como for, até onde chegamos até agora?
O professor, arrancado de seus devaneios, sorriu.
— Alcançamos 23 graus de congelamento absoluto e...
De repente, a sala de reuniões do laboratório abriu-se e um assistente, trazendo um telefone sem fio, declarou:
— Professor, telefone para o senhor.
O homem não conseguiu disfarçar a sua irritação.
— Eu disse que não queria ser perturbado!
— É urgente, senhor. É sua esposa.
Ele pegou o telefone com má vontade.
— Quantas vezes já lhe disse que não me telefonasse aqui? O que foi desta vez?
— Aconteceu uma coisa terrível — a mulher soluçava do outro lado. — Nosso filhinho foi atropelado por um carro na frente de casa. Eu o deitei aqui e chamei a ambulância, mas não consigo sentir seu pulso.
— Ok. Fique calma. Logo estarei aí.
O telefone escorregou de sua mão quando ele voltou-se para os colegas. Aquele com quem estava falando, perguntou:
— O que houve? Parece que o senhor viu um fantasma. Professor? Professor?
O homem segurou-se no tampo da mesa e saiu cambaleando da sala sem sequer recolher seus papéis...

Explicação

            Se a busca das leis físicas leva ao profundo entendimento e à utilização da matéria e da energia, nossa vida e nossas esperanças mais profundas caminham num ritmo diferente. De tempos em tempos somos sacudidos por fatos que desafiam a nossa capacidade intelectual. Quando acontece um imprevisto, precisamos de  algo mais que meras definições. Precisamos do poder interior.
            A meditação nos ajuda a manter o equilíbrio diante do inesperado. Num dado momento, podemos estar plenamente lúcidos e eficientes quanto às nossas capacidades profissionais e, no momento seguinte, calmos e preparados para lidar com as dificuldades pessoais que porventura vierem a surgir. Existe um poder de concentração superior que controla a tendência à especulação inútil e a paciência de esperar pelos fatos.
 
Do livro: Reflexões para uma vida plena, Ken O'Donnell, Editora Integrare

03 junho, 2014

POR QUE AS FOLHAS CAEM?

 

 A cada outono, certas plantas e árvores preparam-se para um repouso necessário e vital à sua vida e continuação.
Algumas espécies de árvores matizam-se de várias cores, num maravilhoso contraste entre a melancolia e a beleza extrema. Depois, uma a uma, as folhas caem, como lágrimas, até que as árvores, nuas e tristes, abram os braços ao inverno e esperem, pacientemente, a primavera, que restaurará cada folha caída.
Por que para nós seria diferente? Por que não perder antes de reencontrar, por que não as lágrimas, por que não dias áridos, frios e secos? E por que não a esperança de que a primavera volte? Porque, creiam, ela volta sempre!
Talvez nos julguemos bons demais para receber o sofrimento, como se ele fosse sempre símbolo de castigo e não algo necessário ao nosso crescimento.
As folhas caem e as árvores parecem assim tão desprotegidas, tão solitárias!... e eu me pergunto o que faz com que sobrevivam.
Elas entendem que esse período é necessário à sua renovação. Elas aceitam, doam-se e esperam e recebem de volta, no tempo oportuno.
Assim somos nós com todas as perdas que sofremos, com as lágrimas que escorrem e salgam nossa boca, com o tempo que parece interminável ou as noites longas demais.
Tanto que não entendemos e não aceitamos o sofrimento, ele se prolongará. Tanto que não vemos isso como uma fase, apenas uma fase, a ferida estará aberta e sangrará.
Não aceitar o outono e negar o inverno não faz com que não existam. Apenas nos deixam fora de uma realidade que chega pra todo mundo.
Não somos maus demais para recebê-los como um castigo e nem bons demais para que possamos não acolhê-los.
As árvores perdem as folhas e perdemos os nossos. Elas choram e choramos também. Elas esperam e nada há que nos impeça de esperar.
E elas recebem, a seu tempo determinado, novos galhos e novas folhas, novas flores e novos frutos. Sentem-se assim completas.
Somos assim o que somos e o mesmo Deus que sustenta as árvores, nos sustenta a nós!
E Ele nos poda, nos molda, nos deixa nús e aparentemente sem defesa, mas está sempre presente e estará ainda quando a primavera voltar, quando seremos, depois do inverno frio, renovados e prontos para recomeçar.

Letícia Thompson

02 janeiro, 2013

AS CARACTERÍSTICAS DO SER GUARANI

AS CARACTERÍSTICAS DO SER GUARANI

Ser Guarani é fundamentalmente one’e guarani (falar guarani), oguata(caminhar, migrar, ter a ética do oguata), ko’ygua (ser camponês, um cultivador), tavaygua (um agricultor que vive em uma aldeia),naicaciquéi (sem cacique, uma sociedade sem estado), jopói(praticar uma economia de reciprocidade) e ñembu’e (pertencer a um povo de oração, em oração – palavra divina). Estas são as sete características fundamentais na composição do ñande reko, ou seja, do modo de ser guarani.
ÑEMBU’E – PERTENCER A UM POVO DE ORAÇÃO
Ñembu’e faz parte da concepção Guarani de que “a palavra é tudo e tudo é palavra”. Um conceito-existência que está na base da experiência antropológica, cosmológica e teológica.
O termo “palavra” (ayvu, ñe’ë, ä) também significa voz, fala, linguagem, idioma, alma, nome, vida, origem, personalidade. Constitui uma categoria das mais densas para explicar a maneira como se “trama o modo de ser guarani”. A indissociável relação entre palavra e alma leva Graciela Chamorro a concluir que o Guarani “é capaz de compreender-se e de compreender toda a sua vida, como experiências de palavra e atos de dizer-se”.
Na tradição indígena, a alma e o nome não são posses pessoais – a pessoa não tem o nome, não possui a alma –, e, sim, tanto a alma quanto o nome indicam o que ela é, a “alma é o próprio ‘eu’ ”. As expressões traduzidas por ‘alma’ em guarani designam o indivíduo em sua integridade e nisso assemelham-se aos equivalentes hebraico e grego nephesh e psyquê. Para “palavra-alma”, os termos que definem a relação são ñe’ë e ayvu, podendo significar, igualmente, palavra e alma, e também no sentido de “minha palavra sou eu” ou “minha alma sou e’’.
Graciela Chamorro recorre a Montoya e aos registros etnográficos para demonstrar a “capacidade expressiva singular” do termo “palavra” entre os Guarani: “Ñe’ë é expressar-se, é palavra, é linguagem. Tentar a palavra é jogá-la para frente, ñeëäa. Refletir antes de falar é jogar a palavra diante de si. Falar com ternura ou pôr querer no que se diz é vestir as palavras, ñeë monde. A palavra dita com ternura é palavra ainda não madura, ñeë aky. A palavra alegre é de olhos pequenos,ñeësai. Ñeë syry é a palavra que sai rapidamente da boca, que escorrega. A palavra entrecortada é ñeëndóy, razão solta. Ser mudo ou silenciar é comer as palavras, ñeëngu. O segredo é palavra escondida, ñeë ñemï. Palavra dura é a que se trava na garganta, ñeë pyatä. Ñeë pyvoi é falar desordenadamente. Palavra magra é o chamar alguém com psius, ñeë piru. O aturdir com palavras é deixar o outro perdido, ñeë poromonkañy. Falar timidamente é ter medo, ñeë kyhyje. Palavra gorda, ñeë kyra, é mentira. Resposta é a palavra que encara, ñeë rovaicha. O falar ordinário é uma plantação de palavras,ñeëtyva. A palestra, o sermão, a conversa é tornar-se palavra,ñemoñeë. Rogar é articulado pela expressão “alquímica” ñeë marangatu, capaz de transformar o mal (marä) em algo bom (katu) “.
A imagética presente na Língua Guarani lembra as reflexões sobre os nomes e as palavras de Walter Benjamin, presentes na teoria sobre o Drama Barroco Alemão, que indicam a linguagem como o lugar das idéias, ou, ainda, como a “dimensão nomeadora da linguagem em contraste com sua dimensão significativa e comunicativa”.
Comentando a teoria Benjaminiana, Sérgio Paulo Rouanet fala da linguagem adamítica, que, para Benjamin, desperta as coisas, chamando-as pelos seus nomes  verdadeiros. Segundo Benjamin, “o nome transforma-se na palavra, mero fragmento semântico, coisa entre coisas”, perdendo, por essa razão, a capacidade de nomeá-las.“A idéia está inscrita na ordem do Nome”.
Pesquisando os Ache, Pierre Clastres diz que o canto dos caçadores designa “Um certo parentesco entre o homem e sua linguagem: mais precisamente um parentesco tal que parece subsistir apenas no homem primitivo. Isso equivale a dizer que, bem distante de todo exotismo, o discurso ingênuo dos selvagens nos obriga a considerar o que os poetas e pensadores são os únicos a não esquecer: que a linguagem não é um simples instrumento, que o homem pode caminhar com ela, e que o Ocidente moderno perde o sentido de seu valor pelo excesso de uso a que a submete. A linguagem do homem civilizado tornou-se completamente exterior a ele, pois é para ele apenas um puro meio de comunicação de informação. A qualidade do sentido e a quantidade dos signos variam em sentido inverso. As culturas primitivas, ao contrário, mais preocupadas em celebrar a linguagem do que em servir-se dela, souberam manter com ela essa relação interior que é já em si mesma aliança com o sagrado. Não há, para o homem primitivo, linguagem poética, pois sua linguagem já é, em si mesma, um poema natural em que repousa o valor das palavras”.
Existem, ainda, outras tentativas de explicar a palavra guarani, como, por exemplo, referir-se a ela como corpo, encorpar-se e encarnar-se. Para Melià, os Guarani acreditavam que a alma não era algo recebido de forma acabada, e sim, construída ao longo da vida. Essa construção se exterioriza através da palavra. A “história da alma guarani é a história da sua palavra, a série de palavras que formam o hino de sua vida”.
OGUATA - A ÉTICA DO CAMINHAR
A busca pela "terra sem mal" tem sido apontada como motivo e razão da migração dos Guarani e como elemento constitutivo da construção do seu modo-de-ser. Nesta busca, inserem-se, também, as particularidades da economia do grupo, como a prática da horticultura e a reciprocidade, entre outras.
Assim, a terra se apresenta como espaço que deve ser caminhado. Oguata é caminhar. Esse verbo sintetiza o etos guarani até os dias atuais. Uma terra caminhada é um espaço cultivado, ocupado, humanizado. O pensamento mítico e religioso dos Guarani integra na idéia criacional uma terra que se alarga e se estende continuamente, o que supõe caminhar por ela, criar novos horizontes, tomando posse desses espaços de modo humano e pleno.
Os Guarani estabeleceram-se nas florestas tropicais e subtropicais dos vales dos grandes rios, ocupando as matas tropicais situadas ao longo dos rios Paraguai, Paraná e Uruguai – incluindo os atuais estados brasileiros do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além do oriente paraguaio e boliviano, do nordeste argentino e do Uruguai –, provavelmente motivados pelo crescimento demográfico e por prolongada seca que teria alterado as condições de sobrevivência. Os que migraram para essas regiões teriam sido os ascendentes dos tupi-guarani.

Dado o processo contínuo de diferenciação cultural, os Tupi e os Guarani separaram-se, originando duas tradições distintas. Os Tupi aclimataram-se no litoral quente do Atlântico, desenvolvendo uma tradição baseada na cultura da mandioca amarga. Os Guarani adaptaram-se ao clima temperado das matas subtropicais dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, desenvolvendo uma tradição baseada na cultura do milho, compondo, na bacia do Rio da Prata, sociedades denominadas “horticultores de floresta tropical”.
Na região Platina, a área ocupada pelos Guarani era na maior parte limitada a oeste pelo rio Paraguai, pelo menos pela parte de seu curso situada entre o paralelo 22, a montante, e o paralelo 28, a jusante. A fronteira meridional encontrava-se um pouco ao sul da confluência do Paraguai e do Paraná. As margens do Atlântico constituíam o limite oriental, mais ou menos do porto de Paranaguá ao norte (paralelo 26) até a fronteira do Uruguai atual, outrora pátria dos índios Charrua (paralelo 33). Temos assim duas linhas paralelas (o curso do Paraguai, o litoral marinho), das quais basta ligar as extremidades para conhecer os limites setentrional e meridional do território guarani. Esse quadrilátero de aproximadamente 500.000 km não era integralmente ocupado pelos guaranis, uma vez que outras tribos residiam nessa região principalmente os caingangue. Pode-se avaliar em 350.000 km a superfície do território guarani.
De acordo com Arno Kern, a Bacia Platina “se caracteriza, do ponto de vista natural, por vários habitats com seus respectivos biomas” sendo este complexo geográfico ocupado por diferentes etnias cada uma delas detentora de espaços ecológicos específicos. Os grupos vindos da Amazônia buscaram espaços semelhantes ao de suas origens, estabelecendo suas aldeias nos vales quentes e úmidos, nas várzeas irrigadas das florestas tropicais e subtropicais dos vales dos rios Paraguai, Paraná, Uruguai e Jacuí, viabilizando a prática agrícola. Nas florestas de pinheiros do planalto estabeleceram-se os Guaianás, inimigos dos Guarani. Nos campos do Pampa, viviam Charruas e Minuanos.
A expansão dos Guarani na Bacia Platina limitou-se às terras adequadas ao cultivo e à forma de aproveitamento do espaço praticada por eles. Os campos abertos e florestas de araucárias, como já foi mencionado, ficaram sob o domínio de grupos caçadores, coletores e agricultores.
Os séculos XVI e XVII, tempo da ocupação e colonização da América pelos europeus e, conseqüentemente, da Região Platina, ofereciam dificuldades para novas expansões: a terra das matas subtropicais estava esgotada e a população alcançava a cifra aproximada de 2 milhões de habitantes. Juntamente com o estrangulamento das terras cultiváveis, empecilho para novas migrações, encontrava-se a ação depredadora dos colonos europeus, que se converteu no que Melià aponta ser “o mal maior e mais terrível que sobreveio à terra guarani”.
O’ÑEE – FALAR GUARANI
Os Guarani pertencem ao tronco lingüístico tupi-guarani, desenvolvido a partir do tronco tupi mais antigo, e à tradição denominada na arqueologia de tupi-guarani. São também genericamente identificados como “povos amazônicos”, em razão do local de origem dos seus ancestrais, a Amazônia, onde entre os rios Jiparaná e Aripuanã (afluentes do Rio Madeira) teriam se originado em torno de cinco mil anos atrás. Este ambiente caracteriza-se por florestas entremeadas de cerrados, aptos por isso mesmo, à caça e à coleta. Questões demográficas ao longo dos dois mil anos seguintes teriam ocasionado a expansão do grupo, a diversificação da protolíngua tupi e a modificação da cultura em geral, chegando à incorporação da agricultura – plantação de tubérculos – e de cerâmica. Ter-se-iam neolitizado.
Em levas sucessivas os povos amazônicos percorreram o litoral atlântico, descendo até o Rio da Prata e, no sentido do oriente atingiram os Andes, propiciando a difusão da língua e da cultura material, ainda que não de modo uniforme.
A migração paulatina ocorrida ao longo de 2500 anos fez com que os Guarani difundissem sua língua por um grande território, sendo a figura do Karai (espécie de liderança religiosa) fundamental na compreensão desse movimento migratório. São necessárias as palavras do Karai e a força de sua oratória para levantar o grupo de uma terra esgotada pelo cultivo. Através da busca de uma nova terra “a palavra caminhava com o povo, pois o povo era levado por ela ao mesmo tempo em que a levava consigo. Estar a caminho se tornou, assim, o núcleo dinamizador da economia profética e da vivência religiosa do grupo.”
O caminhar almeja uma terra e a terra guarani se compara a um corpo murmurante que se estende e se alarga continuamente. Há um canto que diz: Yvy (o)ñemongo’i vaekue, “num passado-começo a terra balbuciava sua palavra”. Nesse mesmo tempo (vaekue), balbuciava (brotava) sua palavra também o milho (Itimby oñemongo’i vaekue). Seu brotar é também um murmúrio, um ensaio do falar, do dizer-se, da palavra. Brotar é mostrar-se, aparecer, chegar à existência, nascer. Itymby foi registrado por Montoya como “rebentar”, “brotar”, “furar”. Seus exemplos falam do milho que brota e de sementes que ficam carunchadas. Nos relatos Kaiová, o milho – como outras plantas e animais – assume um papel ativo na cosmogonia indígena.
O centro da terra para os Guarani atuais significa o umbigo do mundo, o lugar onde tudo começou, sendo, ainda, uma importante referência espacial. Estes termos (centro da terra ou universo), nos registros jesuíticos, foram traduzidos como “inferno” e “cemitério”. Assim, nos catecismos está escrito que o inferno fica no meio interior da terra (yvy ypytépe, ou igbi apiteripe), lugar habitado pelo diabo (aña retä). Bolaños e outros autores dos catecismos usavam essa expressão para traduzir a descida de Jesus ao mundo dos mortos.
Tyapu, “trovão”, vincula-se a Tupã, mas também representa o avô ou pai criador dos Guarani – Ñane Ramöi, Ñande Ru, Ñamandu,Hayapúva –, àquele que “troveja ou que se mostra em ruído”. O instrumento musical mbaraka amplia o significado de tyapu para ‘fala’, ‘palavra’ ou ‘mensagem’, que devem ser interpretadas pelos xamãs. Assim se diz: ”como fala essa maracá” (oñe’ë pe mbaraka) como sinônimo de ‘soa maracá’.
Quando portugueses e espanhóis chegaram à bacia Platina para dar início à colonização, encontraram nestas terras o resultado de um processo milenar de produção e reprodução cultural, ou seja, as populações falantes do guarani em diferentes dialetos e possuidoras de uma certa homogeneidade cultural.
NAICACIQUÉI – INEXISTÊNCIA DE CHEFIA
Pesquisando as culturas primevas ou arcaicas da América, Pierre Clastres defende a tese de que estas eram sociedades que se opunham a uma chefia efetiva, a um poder que se colocasse acima dos desejos e necessidades coletivas.
Excetuando as altas culturas do México, da América Central e dos Andes, diz Clastres, distribuídas ao longo do território americano encontrava-se um grande conjunto de sociedades nas quais a detenção do poder, como a entendemos, inexistia, onde se vê o político como um “campo fora de toda coerção e de toda violência, fora de toda subordinação hierárquica, onde, em uma palavra, não se dá uma relação comando-obediência”.
Segundo Clastres, as características imprescindíveis das lideranças indígenas são visíveis tanto no norte quanto no sul do continente. A liderança indígena se faz:
1.    quando o chefe assume a função de “fazedor de paz”, de instância moderadora do grupo, tal como é atestado pela divisão freqüente do poder em civil e militar;
2.    quando o chefe é generoso com seus bens, não repelindo os incessantes pedidos da comunidade. Caso isso acontecesse, cairia em descrédito;
3.    quando o chefe é bom orador. Somente um bom orador ascende à chefia e granjeia a simpatia do grupo.
Parece a Clastres que os grupos indígenas intuitivamente compreenderam que o poder é essencialmente coerção e, por isso mesmo, colocaram-se em oposição a ele. Tal atitude não pode, contudo, ser lida como uma inabilidade na resolução de questões políticas e de poder, na medida em que pressentiram muito cedo que a transcendência do poder encerra para o grupo um risco mortal, que o princípio de uma autoridade exterior e criadora de sua própria legalidade é uma contestação da própria cultura; foi a intuição dessa ameaça que determinou a profundidade de sua filosofia política.
Se nas sociedades de estado a palavra é o “direito” do poder, nas sociedades sem estado ela é “dever” do poder. A chefia como cargo não confere ao chefe o direito à palavra, ao contrário, as sociedades indígenas exigem de sua liderança o domínio sobre as palavras, sendo a fala um imperativo ao chefe. O silêncio incompatibiliza-se com a liderança.
Nas sociedades sem Estado, regras e leis se inscrevem na ordem do corpo. São marcas indeléveis a autorizar o pertencimento deste corpo ao grupo. Assim entende-se os ritos de iniciação e essa “escritura” que marca o corpo. As sociedades arcaicas são, sociedades de marca, são sociedades sem Estado, sociedades contra o Estado. A marca sobre o corpo, igual sobre todos os corpos, enuncia: Tu não terás o desejo do poder, nem desejarás ser submisso. E essa lei não-separada só pode ser inscrita num espaço não-separado: o próprio corpo. Admirável profundidade dos selvagens, que de antemão sabiam tudo isso, e procuravam, ao preço de uma terrível crueldade, impedir o surgimento de uma crueldade ainda mais terrível: a lei escrita sobre o corpo é uma lembrança inesquecível.
São sociedades que possuem um chefe, que, por sua vez, não possui autoridade, não ordena, não desenvolve instrumentos de coerção e não exige obediência. “Estranha à sua essência”, diz Clastres, o chefe não possui autoridade, mas, como dito anteriormente, desenvolvendo as habilidades, mantém-se como chefe enquanto o grupo assim o desejar. O chefe, enquanto visto como tal resolve os conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias, linhagens etc., ele só dispõe, para restabelecer a ordem e a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade. Mas evidentemente prestígio não significa poder, e os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra: não para arbitrar entre as partes opostas, pois o chefe não é um juiz e não pode se permitir tomar partido por um ou por outro; mas, para, armado apenas de sua eloqüência, tentar persuadir as pessoas da necessidade de se apaziguar, de renunciar às injúrias, de imitar os ancestrais que sempre viveram no bom entendimento.
Momentos como esses são cruciais para a chefia. Alcançado o entendimento entre os disputantes, o chefe mantém e confirma sua posição. O contrário demonstra sua incapacidade persuasiva, abrindo espaço para resoluções violentas, sinônimo de incapacidade em responder o que dele se espera, o que coloca em risco seu prestígio.
Prestígio este que, segundo Clastres, advém tão-somente de sua competência técnica, dons oratórios, habilidades como caçador, capacidade de coordenar as atividades guerreiras, ofensivas ou defensivas. E, de forma alguma, a sociedade deixa o chefe ir além desse limite técnico, ela jamais deixa uma superioridade técnica se transformar em autoridade política. Finalmente o chefe está a serviço da sociedade, é a sociedade em si mesma o verdadeiro lugar do poder – que exerce como tal sua autoridade sobre o chefe.
A guerra surge como exceção. Tendo em vista a habilidade “técnica” de guerrear, durante a expedição guerreira o chefe pode exercer o mínimo de autoridade. Entretanto, terminada a guerra, o chefe volta a ser o chefe sem poder, independentemente do resultado da batalha, pois a sociedade separa poder e prestígio, a glória de um guerreiro vencedor e o comando que lhe é proibido exercer. O grupo tem clareza de que a fonte mais apta para saciar a sede de prestígio de um guerreiro é a guerra. Ao mesmo tempo, um chefe cujo prestígio está ligado à guerra não pode conservá-lo e reforçá-lo senão na guerra: é uma espécie de fuga impulsiva para frente que o faz querer organizar sem cessar expedições guerreiras das quais ele conta retirar benefícios (simbólicos) aferentes à vitória. Enquanto seu desejo de guerra corresponder à vontade geral da tribo, em particular dos jovens para os quais a guerra é também o principal meio de adquirir prestígio, enquanto a vontade do chefe não ultrapassar a da sociedade, as relações habituais entre a segunda e a primeira manter-se-ão inalteradas.
No centro da organização social dos Guarani, em especial, encontram-se, no mínimo, dois tipos ou conceitos de liderança. O líder civil, pa’i, era pai de linhagem ou da família extensa, teýru, e passou para a história sendo designado com o nome de “arawak”, “cacique”. O líder religioso, karai – referido nas crônicas como feiticeiro, mago e chupador (por dominar a técnica da cura por sucção), foi identificado pelos etnólogos como xamã.
JOPÓI – PRATICAR UMA ECONOMIA DE RECIPROCIDADE
As características jopói – reciprocidade  –, ko’ygua – ser camponês, um cultivador – e tavaygua – um agricultor que vive em uma aldeia – são melhor entendidas em conjunto. Cabe lembrar que a reciprocidade – jopói – é um atributo essencial para o reconhecimento de uma liderança.
Em Montoya, uma aldeia guarani pode compreender centenas de pessoas, distribuídas em grandes habitações retangulares recobertas de folhas de palmeira. Cada uma delas abriga uma grande família, que compreende os núcleos familiares formados pelas filhas e netas; ela funciona como um grupo defensivo e ofensivo e é local onde ocorre a maior parte das atividades de produção. Em certos casos, sessenta núcleos familiares vivem sob o mesmo teto. Cada um ocupa um local determinado, onde se estendem as redes de algodão ou de fibras de palmeira entre dois pilares e se agrupam alguns móveis e utensílios, bancos ou escabelos, às vezes ricamente esculpidos, grandes jarras para as bebidas fermentadas e os ornamentos ou vários objetos, duas ou três cabaças entalhadas que comportam recipientes, armas de caça ou de guerra, ferramentas rudimentares para o artesanato, estacas e machados para os trabalhos nos campos.
Sociedades como a Guarani são classificadas quanto à sua manutenção como “sociedades de economia de subsistência”. Segundo Clastres, se levados em conta o domínio do meio natural e sua adaptação às necessidades, falar de inferioridade técnica se torna impossível. As sociedades primevas demonstram “uma capacidade de satisfazer suas necessidades pelo menos igual àquela da qual se orgulha a sociedade industrial e técnica. Isso equivale a dizer que todo grupo humano chega a exercer, pela força, o mínimo necessário de dominação sobre o meio que ocupa”.
O tempo dedicado ao trabalho corresponde ao tempo exato para a obtenção do necessário para a sobrevivência do grupo e, mesmo não estando preocupados em produzir excedentes, estes ocorrem. São sociedades de abundância, e os relatos de época confirmam esta realidade ao descreverem “a bela aparência dos adultos, a boa saúde das numerosas crianças, a abundância e variedade dos recursos alimentares”.
A vida econômica dos grupos tupi-guarani baseava-se sobretudo na agricultura, e, acessoriamente, na caça, na pesca e na coleta. Uma mesma área de cultivo era utilizada por um período ininterrupto de quatro a seis anos. Em seguida, era abandonada, por esgotar-se o solo ou, mais provavelmente, em virtude da invasão do espaço destacado por uma vegetação parasitária de difícil eliminação. O grosso do trabalho, efetuado pelos homens, consistia em arrotear, por meio de um machado de pedra e com auxílio do fogo, a superfície necessária. Essa tarefa, realizada no fim da estação das chuvas, mobilizava os homens durante um ou dois meses. Quase todo o resto do processo agrícola – plantar, mondar, colher –, em conformidade com a divisão sexual do trabalho, era executada pelas mulheres.
Ainda, o autor conclui que metade da população da aldeia (os homens) trabalhava em torno de dois meses a cada quatro anos, dedicando-se, no tempo restante, à caça, à pesca e à guerra.
Se tão pouco tempo de trabalho é capaz de prover a aldeia, produzindo, inclusive, um excedente, parece impróprio usar a expressão 'de subsistência' para falar deste modelo de economia. A expressão carrega em si ares de negatividade sinônima de carência, pobreza, ou, como diz Clastres, defeito, como se elas – as economias – sofressem de um mal congênito. O uso do conceito deve ser necessariamente positivado, ou seja, pensar em subsistência é pensar numa economia de abundância, que abastece plenamente a sociedade.
Por que essas economias não produzem mais, por que não dedicam mais tempo para as atividades produtivas? Segundo Clastres, somente por meio da força se obtém a produção de excedentes. Nas sociedades primevas, essa força coercitiva não encontra espaço – vale lembrar do poder político. Para este autor, não existe o desejo efetivo da acumulação de bens. Suas economias não são economias políticas.
Para ilustrar esse pensamento econômico, Clastres usa o machado de metal como exemplo de objeto que causou muito impacto nas sociedades arcaicas americanas por ocasião da colonização. A vantagem do machado de metal sobre o de pedra é evidente demais para que nela nos detenhamos: podemos, no mesmo tempo, realizar com o primeiro talvez dez vezes mais trabalho que com o segundo; ou então executar o mesmo trabalho num tempo dez vezes menor. E, ao descobrirem a superioridade produtiva dos machados dos homens brancos, os índios os desejaram, não para produzirem mais no mesmo tempo, mas para produzirem a mesma coisa num tempo dez vezes mais curto. Mas foi exatamente o contrário que se verificou, pois, com os machados metálicos, irromperam no mundo primitivo dos índios a violência, a força, o poder, impostos aos selvagens pelos civilizados recém-chegados.
Para Clastres, “a sociedade primitiva, primeira sociedade de abundância, não deixa nenhum espaço para o desejo de superabundância”.
A horticultura praticada pelos Guarani apresentava grande rendimento. Nas roças, o milho era o produto de maior destaque (nos escritos de Montoya há notícia de seis variedades de milho), bem como notícias de, entre as plantas cultivadas, duas espécies de moranga, vinte de batata, seis de mandioca, seis de amendoim e quatro de pimenta. A alimentação guarani era completada com a coleta de ervas, frutos, mel, caça e pesca.
A horticultura era praticada na mata. A subsistência/abundância do grupo alicerçava-se na agricultura de coivara (derrubada e queima da mata). Segundo Melià, a “terra humanizada” dos Guarani compreendia, além da selva e da roça, um espaço habitável, uma casa, um pátio, uma aldeia. A mata preservada para a prática da caça, da pesca e da coleta de mel e de frutas silvestres. Terra especialmente fértil para os cultivos e, por fim, um lugar para a grande casa comunal, com seu grande pátio aberto, ao redor do qual cultiva-se banana, mamona, algodão e urucu. Os três espaços que servem para avaliar a boa terra guarani são: o monte, a roça e a aldeia. Assim, “a selva é espaço da caça, da pesca e da coleta; a roça, o lugar do cultivo; a aldeia, o lugar das casas, das festas e das reuniões”.
A organização social dos Guarani tinha por base o te’ý – a família extensa –, constituída de uma linhagem patrilinear ou grupo macrofamiliar, unido pelo parentesco, que habitava a casa comunal. Ote’ýiru, pai de cada família, constituía uma espécie de chefe da família extensa. O espaço vital em que os diversos te’ýi conviviam era otekoha. Os tekoha podiam confederar-se, eventualmente, originando as guará. No tempo da conquista podem ser precisadas 14 guára, que levam o nome de rios ou caciques: Cario, Carijó, Tobatim, Guarambaré, Itatim, Paranayguá, Uruguayguá, Tape, Guayrá, Arechané, Caaró, Tarumá, Chiriguano e Chadul ou Guarani das ilhas.
Texto de Maria Denise Bortolini
Postado por HERNE, the Hunte

11 abril, 2012

ATRITOS



Nos atritos do mundo,
Não te omitas. Aceita.
Que seria de nós,
Sem a prova que educa?
Pelo buril do artista,
Faz-se a pedra obra-prima.
A mente sem problemas
Repousaria inútil.
A luz do sofrimento
Vem de pranto e suor.
Se a provação te apura,
Rende graças a Deus.
(De O Essencial. Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)
(texto recebido de Cristiano de Almeida)
(quadro: John O'Brien)

09 abril, 2012

UM RAIO DE SOL


Quando o sol nasce pela manhã é como se o Sublime Artista acendesse uma lâmpada de ouro.
Toda noite ele se esmera para extrair um novo colorido do dia novo.
Ante os raios do sol que se espreguiçam a tudo envolvendo, o verde brilha com maior intensidade.
Nas pétalas das flores o orvalho vai sendo despertado e se transforma em cristal líquido, refletindo os raios de luz
Logo, tudo é luz, vida, alegria, juventude.
Os pássaros ensaiam seus cantos, recordando-nos que devemos saudar o dia com sorrisos. Eles nos dão a lição de que devemos iniciar o nosso dia sob a luz da oração. Oração que é louvor e gratidão.
Eles voam livres, conquistando o espaço. Batem suas asas entre os braços verdes das árvores. Iniciam a labuta da construção dos ninhos, da busca do alimento para os filhotes que aguardam, sempre famintos.
Essa faina nos recorda os ensinos de Jesus: as aves do céu não semeiam e nem ceifam, nem guardam sementes em seus celeiros. No entanto, nosso Pai por elas vela.
É a rememoração da lição da confiança na Providência Divina.
O sol desce com seus raios pelo jardim e vai despertando as flores, encolhidas em seu sono da noite. Elas se espreguiçam e abrem suas corolas aos beijos convidativos do astro rei.
O céu estampa a serenidade do azul e da beleza. O dia está pronto e nos diz: tudo é belo e suficiente para ser feliz. Basta que você abra os olhos e sinta.
O calor do sol traduz vida também para a nossa alma. Tudo está preparado com carinho porque é dia. E é neste dia que iremos viver: crianças, jovens, homens e mulheres.
Todas as manhãs, Deus nos homenageia com este espetáculo que é cor, som e beleza. Mas, normalmente, nos mostramos apressados, preocupados.
Levantamos rapidamente, preparamo-nos e saímos. Não temos tempo para saudar o dia. Ligamos o carro, andamos rapidamente, preocupamo-nos com o trânsito que nos impede a marcha mais rápida.
Franzimos a testa, nervosos e aflitos e nada percebemos do que nos rodeia.
Seria muito bom que, como as aves, acordássemos mais cedo, saudássemos o dia, aproveitando para brincar com os raios do sol ou simplesmente nos detivéssemos a contemplar o espetáculo da natureza.
A Terra só continua a ser um planeta de intensas dores e aflições porque ainda não despertamos para o bom e o belo, que Deus dispõe diariamente à nossa volta.
* * *
Assim como o sol dissipa a névoa da manhã, o ser humano deveria permitir que os raios do sol dissipassem a névoa do seu coração.
Então, ele poderia sentir o calor em sua alma, conseguindo viver em plenitude e amar.
Se o homem que caminha, sobrecarregado ao peso das dificuldades, resolvesse misturar o canto da sua alma ao canto dos pássaros, dissiparia a dor que lhe machuca a intimidade, da mesma forma que a neblina é espancada pelo astro rei, na manhã que surge.
(Redação do Momento Espírita, com base no artigo Reflexão de um raio de sol, de Maria Anita Fonseca Rosas Batista, da revista Presença espírita, de março/abril de 2000, ed. Leal. http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3329&stat=0)
Um dia todinho feito de confiança ,
todinho feito de felicidade,
todinho perfumado de amor,
pra vc e todos ao seu redor.
Abraços com carinho
Equipe CVDEE
CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismowww.cvdee.org.br
Espiritismo para jovens:
sala Espiritismo Net Jovem
programa Paltalk (para fazer download: www.paltalk.com)
Dia: Sexta-feira
Horário: 21 horas
categoria Central & South America - Brazil
Prece Fraterna - Tire suas dúvidas
www.cvdee.org.br
E
BLOG JOVEM:
A Equipe Net Jovem convida você a participar do espaço jovem, criado especialmente para que a juventude se manifeste! Nosso endereço é: http://espnetjovem.blogspot.com/ . Aguardamos sua visita e participação!

24 fevereiro, 2012

O BAMBU E A SAMAMBAIA



Se você está tentando alcançar grandes objetivos em sua vida e de trabalho, as chances são de que, de tempos em tempos, você sinta que caiu e atingiu o fundo do poço.

Nada funciona, nada dá certo, nada consegue. Em momentos como este você pode sentir vontade de jogar a toalha. Mas antes que você faça isso, leia a seguinte história.

Um dia, um pequeno empresário decidiu que ele tinha o suficiente. Suficiente da carga de trabalho incessante, o suficiente da falta de resposta, o suficiente da solidão esmagadora.

Ele entrou na mata para ter uma última conversa com o Criador. "Criador", disse ele. "Você pode me dar uma boa razão para eu não entregar os pontos e desistir?"

A resposta o pegou de surpresa. "Olhe ao seu redor", disse. "Você vê a samambaia e o bambu?"

"Sim", respondeu o homem.

"Quando eu plantei a samambaia e o bambu, eu cuidava muito bem deles. Não lhes deixei faltar água e nutrientes. Dei-lhes a luz do sol na primavera e os protegia das tempestades no Outono. A samambaia cresceu rapidamente da terra. Sua folhagem brilhante logo cobriu o chão da floresta. No entanto, nada veio da semente de bambu. Mas eu não desisti do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais esplêndida do que antes, mas nada veio da semente de bambu. Mas eu não desisti do bambu. No terceiro ano, nada ainda da semente de bambu dar algo. Mas eu não iria desistir dela. No quarto ano, mais uma vez, não havia nada a partir da semente de bambu. Ainda assim eu não desisti.”

"Então, no quinto ano um pequeno broto emergiu da terra. Em comparação com a samambaia era aparentemente pequena e insignificante. Mas dia após dia o broto cresceu. Primeiro um fiozinho, depois foi tomando corpo e dentro de seis meses, a cana de bambu tinha subido a uma altura de 50 metros. Ele tinha passado os cinco anos criando e fortalecendo as raízes. Essas raízes o tornaram forte e deu-lhe o que precisava para sobreviver.”

“Eu não daria a nenhuma das minhas criações um desafio que não pudesse suportar".

"Você sabia, meu filho, que todo esse tempo você tem se esforçado, tem crescido? O crescimento das raízes que você precisava para produzir os seus frutos. Eu não desisti do bambu. Eu não vou desistir de você".

"Não se compare com os outros. Todas as minhas criações têm finalidades diferentes, viagens diferentes e calendários diferentes. O bambu tinha um propósito diferente do da samambaia. No entanto, ambos fazem uma bela floresta. Seu tempo virá. Você vai subir alto".

"Quão alto que eu deveria aumentar?" Perguntou o homem.

"Quão alto será o aumento do bambu?" Perguntou o Criador em troca.

"Tão alto quanto ele pode?" O homem questionou.

"Sim", respondeu o Criador. "Dá-me a glória pelo aumento tão alto quanto você puder."

O pequeno empresário deixou a floresta. E nunca mais voltou.

Se nada parece que está acontecendo em sua vida, apesar de todo o trabalho que está colocando nele, lembre-se que você provavelmente está em crescimento das raízes. Finque-a com força a cada dia.

Um dia não muito longe, haverá uma colheita fantástica, tão fantástica quanto as sementes que plantares e o cultivo que fizeres.

Nunca te arrependas de um dia de tua vida.

Os bons dias te dão felicidade.

Os maus te dão experiência.

Ambos são essenciais para a vida.





A felicidade te faz doce.

Os problemas te mantêm forte.

As penas te mantêm humano.

As quedas te mantêm humilde.

O bom êxito te mantém brilhante.





Mas, só o Criador te mantém caminhando...