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03 novembro, 2011

DESIDERATA





"Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.



"Fale a sua verdade, clara e mansamente.



"Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história.



"Evite as pessoas agitadas e agressivas : elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você : isso o tornaria superficial e amargo.



"Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar. Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.



"Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.



"Seja você mesmo.



"Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor n'uma brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva.



"Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude.



"Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. Não se desespere com perigos imaginários : muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.*



"Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade.



"Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino.



"Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz.



"Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito.



"Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade."



Desiderata - do Latim "Desideratu" : aquilo que se deseja, aspiração.



Este texto foi encontrado na velha Igreja de Saint Paul, Baltimore, datado de 1692.



* Este trecho do texto foi inserido na música "Há Tempos", no álbum "As Quatro Estações" do grupo Legião Urbana.









26 outubro, 2011

UM POEMA À PAZ





A paz, este sentimento que vem de nós,

E a missão que cabe a nós, pelo Cristo, não é transferível,

A iluminar nossa alma e, a de quem nos ama,

Pois amando não declina de pequenos sacrifícios, aguardando o porvir,

Trazemos nossas lágrimas, que hoje são sublimes,

Sepulcro para os covardes, chama dos justos,

Posto sermos obreiros em luta, podemos ser chama,

Ainda que a trilha do porvir seja dura e sofrível.



A paz, que trazemos em nosso olhar,

Olhar que leva a paixão, a luz e ao rubor,

É prece a lubrificar corações em dor,

E é rasteio do jardim divino, a afastar o rancor,

É harmonia a plenipotenciar o mundo do outro,

Pois sem o outro, nosso jardim não é terreno propício,

É chocalhar em nós vibrações de amor,

Para jogar as sementes de nossa vida, pulcra flor.



A paz, esta mola mestra de nossa vida,

Sem ela nossa vida torna-se alimento sem sal,

Conduz sempre nosso coração à lógica, bom termo,

Lógica que não pressupõe sofismas, só o Cristo,

Amaremos com nossa bonança e beleza,

Mostrando-nos e aos nossos nossa real realeza,

Sem reclamar, gemer, sem tristeza,

Como reis que amam rainhas, príncipes e princesas.



A paz, que trazemos desmonta canhões,

Pois devemos ser caravaneiros da luz,

Dissimula brigas, para harmonia na terra,

Pois planta um segundo de alegria,

Para eternidade eterna e opulenta,

Pois distribui carinho e afeto a mão cheias,

Para o homem que acerta e ao que erra,

Mas sempre em direção ao mestre Jesus.



A paz, que temos em nosso tocar,

Com nossas varinhas de condão da fraternidade,

É melodia inconfundível que compraz,

De uma orquestra universal,

Mostra ao homem inseguro,

Afinal de contas, não somos todos?

Insegurança própria de quem é humano,

Levando ao Mundo calor e felicidade.



A paz de nossa presença,

Mesmo se estivermos em classes outras, quimeras,

É arremedo consciente do sol nascente,

De um jovem, de um maduro, de um adolescente,

É elegia, cantata, é verbo,

De nosso aparato evolutivo,

E ato de quem ama consciente,

Do humilde, do errático, do altivo.



A paz de vosso existir me alivia,

E, me dá alegria que jamais supus,

É fonte de altiva felicidade,

É caridade com o mestre Jesus.



Paulo Viotti, com a ajuda dos amigos espirituais (CC)