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30 junho, 2011

O SONO E OS SONHOS






400 O Espírito encarnado permanece espontaneamente no corpo?

– É como perguntar se o prisioneiro se alegra com a prisão. O Espírito encarnado aspira sem cessar à libertação, e quanto mais o corpo for grosseiro, mais deseja desembaraçar-se dele.



401 Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

– Não, o Espírito nunca fica inativo. Durante o sono, os laços que o prendem ao corpo se relaxam e, como o corpo não precisa do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com outros Espíritos.



402 Como avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?

– Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, o Espírito tem mais condições de exercer seus dons, faculdades do que em vigília; tem a lembrança do passado e algumas vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com outros Espíritos, neste mundo ou em outro. Quando dizeis: tive um sonho esquisito, horrível, mas que não tem nada de real, enganais-vos; é, muitas vezes, a lembrança dos lugares e das coisas que vistes ou que vereis numa outra existência, ou num outro momento. O corpo, estando entorpecido, faz com que o Espírito se empenhe em superar suas amarras e investigar o passado ou o futuro.

Pobres homens, que pouco conheceis dos mais simples fenômenos da vida! Julgai-vos sábios e, entretanto, vos embaraçais com as coisas mais simples; ficais perturbados com a pergunta de todas as crianças: o que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos?

O sono liberta, em parte, a alma do corpo. Quando dormimos, estamos momentaneamente no estado em que o homem se encontra após a morte. Os Espíritos que logo se desligam da matéria, quando desencarnam, têm um sono consciente. Durante o sono, reúnem-se à sociedade de outros seres superiores e com eles viajam, conversam e se instruem; trabalham até mesmo em obras que depois encontram prontas, quando, pelo desencarne, retornam ao mundo espiritual. Isso deve vos ensinar uma vez mais a não temer a morte, uma vez que morreis todos os dias, segundo a palavra de um santo. Isso para os Espíritos elevados; mas para o grande número de homens que, ao desencarnar, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza da qual já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os evocam, ou vão procurar prazeres talvez ainda mais baixos que os que têm aí; vão se envolver com doutrinas ainda mais desprezíveis, ordinárias e nocivas que as que professam em vosso meio. O que gera a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de os homens, ao despertar, se sentirem ligados pelo coração àqueles com quem acabaram de passar de oito a nove horas de prazer. Isso também explica as antipatias invencíveis que sentimos intimamente, porque sabemos que essas pessoas com quem antipatizamos têm uma consciência diferente da nossa e as conhecemos sem nunca tê-las visto com os olhos. Explica ainda a nossa indiferença, pois não desejamos fazer novos amigos quando sabemos que há outras pessoas que nos amam e nos querem bem. Em uma palavra, o sono influi mais na vossa vida do que pensais. Durante o sono, os Espíritos encarnados estão sempre se relacionando com o mundo dos Espíritos e é isso que faz com os Espíritos Superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar entre vós. Deus quis que em contato com o vício eles pudessem se renovar na fonte do bem, para não mais falharem, eles, que vêm instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para entrarem em contato com seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final que deve devolvê-los a seu verdadeiro meio.

O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono; mas notai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que vistes. É que vossa alma não está em pleno desdobramento. Muitas vezes, apenas fica a lembrança da perturbação que acompanha vossa partida ou vossa volta, à qual se acrescenta a do que fizestes ou do que vos preocupa no estado de vigília; sem isso, como explicaríeis esses sonhos absurdos que têm tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos se servem também dos sonhos para atormentar as almas fracas e medrosas.

Além disso, vereis dentro em pouco se desenvolver uma outra espécie de sonhos; ela é tão antiga quanto a que já conheceis, mas a ignorais. O sonho de Joana D’arc, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos; esse sonho é a lembrança da alma quase inteiramente desligada do corpo, a lembrança dessa segunda vida de que falamos.

Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonho dentre os que vos lembrais; sem isso, caireis em contradições e erros que serão funestos à vossa fé.



Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de convivência. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares mais afastados ou jamais vistos e algumas vezes até a outros mundos; daí ainda a lembrança que traz à memória acontecimentos realizados na existência atual ou em existências anteriores; a estranheza das imagens do que se passa ou do que se passou em mundos desconhecidos, misturadas com coisas do mundo atual, formam esses conjuntos estranhos e confusos que parecem não ter sentido nem ligação entre si.

A incoerência dos sonhos se explica ainda por lacunas que a lembrança incompleta do que nos apareceu em sonho produz. Isso seria como numa narração a qual se tenham truncado frases ao acaso, ou parte de frases; os fragmentos restantes reunidos perderiam toda a significação.



(O Livro dos Espíritos - Perguntas 400,401 e 402)





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25 maio, 2011

SOBRE OS SONHOS - POR JOÃO CARVALHO NETO






Todos os dias, ao dormirmos, nossa mente consciente entra em um estado de repouso, com baixa atividade,

mas isso não significa que estamos totalmente inativos. O inconsciente que, na verdade, ocupa a maior

parte do trabalho mental, permanece elaborando material de diversas origens, construindo aquilo

que chamamos de sonhos. Dessa forma, apesar de muitas vezes dizermos que dormimos e não sonhamos,

isso nunca acontece. Apenas não nos lembramos deles.



Mas o que é um sonho? Ele tanto pode ser uma atividade dos conteúdos reprimidos do inconsciente,

quanto ser uma atividade espiritual de projeção da consciência adormecida.

Essa vivência espiritual pode levar a encontros com outras individualidades em estado fora do

corpo físico, pode levar a recordações de vidas passadas, ou ainda à captação de registros sobre perspectivas futuras,

naquilo que chamamos de premonição.

Todas essas possibilidades ocorrem com freqüência muito maior do que imaginamos e é preciso saber distingui-las

daquelas outras provindas do inconsciente. A principal diferença está no fato de que o material inconsciente se apresenta

em formatos simbólicos e quase nunca reais, utilizando-se de símbolos universais e símbolos pessoais, fruto das

experiências de cada pessoa.

Já as projeções da consciência, possuem imagens e histórias mais reais, com encontros com pessoas falecidas, vivência

de fatos em outras épocas da história, ou visão de acidentes e ocorrências que poderão se suceder.



Mas os conteúdos do inconsciente é que irão marcar a maioria de nossos sonhos, acontecendo quase que diariamente.

Sua construção se baseia no fato de que ao longo de nossa vida, principalmente, nos anos da infância, existem frustrações

inevitáveis de nossos desejos que nem sempre conseguimos elaborar. Elas então são reprimidas para a zona inconsciente,

como uma forma de proteção do psiquismo contra uma angústia que ele não consegue suportar.



Contudo, esse material, apesar de reprimido, continua ativo, e vai sendo, inclusive, alimentado por novas ocorrências

que se lhe assemelham, fortalecendo o fato anterior naquilo que vai se tornando um complexo. Pois, ao longo da vida,

a força desse material gera estados de insatisfação, ansiedade e angústia, sendo muitas vezes despertado por ocorrências

que funcionam como um gatilho para a sua eclosão, que será quase sempre através da emoção reprimida, sem que o fato

que lhe corresponda venha à tona.

Como esses acontecimentos vão se tornando insuportáveis para a mente consciente, marcados por muita angústia, ao dormir

o inconsciente libera parte desses fatos e suas emoções como uma forma de aliviar as tensões intrapsíquicas.

Para que o consciente não realize a censura que reprimiu o conteúdo originalmente, então, os fatos emergem em um

formato simbólico, como que a tentar enganar as forças repressoras da mente. Basicamente isso é um sonho produzido

pelo inconsciente diariamente.

Claro que, para explicar melhor esse mecanismo, necessitaríamos aprofundar outros conceitos psicanalíticos que não

caberiam neste espaço. Mas escrevemos estas linhas para mostrar a importância dos sonhos em nossas vidas.

Sem eles provavelmente enlouqueceríamos, pois o psiquismo não suportaria suas tensões internas.



Mas a importância dos sonhos reside também no fato de que, ao conseguirmos interpretá-los, podemos compreender melhor

as forças inconscientes que governam nossas vidas, os fatos do passado que não foram devidamente resolvidos e que

continuam à espera de solução, interferindo nas nossas decisões e estados emocionais. É como se esses fatos ficassem

exigindo sua repetição para que, então, dêem outro final à sua história.

Eles nos levam, assim, a fazermos coisas que não gostaríamos, mas que buscamos inconscientemente.

Interpretando os sonhos, podemos tornar conscientes essas demandas do inconsciente, passando a ter mais lucidez

sobre nossas decisões.



João Carvalho Neto é Psicanalista

Autor dos livros "Psicanálise da alma"

e " Casos de um divã transpessoal"

www.joaocarvalho.com.br

























Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer, hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: “e se não houver amanhã?”



Então hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, de correr, de abraçar.



Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta...



Hoje eu vou observar seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.



Porque, se não houver amanhã... Eu quero ter gravado em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias...



Hoje eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você essa magia que lhe traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração.



Hoje eu vou me sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... E sem pressa.



Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário.



Sabe, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa... o hoje é presente.



Assim, se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual é a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete.



Quero conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e lhe transmitir confiança...



Hoje, quando você for se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir para que fique um pouco mais ao meu lado.



Sabe, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.



Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento.



Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim.



Nada ficará pendente...



Quero registrar na minha alma cada gesto seu.



Quero gravar em meu ser, para sempre, o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados.



Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim.



Seja você meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto é importante para mim... Porque, se não houver amanhã...



.................................



Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz, mas as circunstâncias, pessoas e coisas, poderão estar diferentes.



Hoje significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades afetivas em favor daqueles que convivem com você.



Hoje é o melhor período de tempo na direção do tempo sem fim...



Namastê Om!

27 janeiro, 2011

CONSTRUA SONHOS!



Somos uma sementinha plantada por Deus para que a terra floresça e dê frutos.

Mas às vezes em tempo de estia é difícil continuar a crescer. E, oprimidos, nos tornamos poços de lamentações, apiedados da nossa sorte. Caímos num buraco sem fundo e ficamos à espera que outros percebam nosso sofrimento e nos estendam a mão.

Porém, é inútil ficar no nosso canto chorando nosso destino e nossa dor. Se não podemos ou não temos força suficiente para mudar uma situação, que a aceitemos para que possamos melhor viver com ela.

Mude sua vida, faça uma vira-volta, ou aceite-a, com paz no coração!

É pesado, difícil, conviver com pessoas que se lastimam o tempo todo e não movem um dedo para mudar. E enquanto essas choram e se lamentam, do lado de fora da janela a vida explode sem se importar.



O mundo não para quando decidimos não mais caminhar; o mundo não chora quando choramos e não se alegra com nossa felicidade. Quando nascemos ele já existia e provavelmente quando nos formos, continuará existindo. Somos nós os passantes.

Todos temos em nós a força e a capacidade de mudar alguma coisa. Mas nem todos conseguem dar o passo à frente. Daí o sentimento de pesar, de pequenez, de nada mesmo muitas vezes. Daí a auto-piedade que é o desprezo, a diminuição de si mesmo. E ela não nos conduz a lugar nenhum, a não ser ainda mais fundo no poço ao qual nos atiramos. Ninguém nos exalta por que sente pena de nós e não crescemos diante dos outros por que temos dó de nós mesmos.

Por estranho que pareça, as pessoas podem até chegar aos que se sentem diminuídos e sofridos com o intuito de querer ajudar. Mas com o passar do tempo, se nada parece mudar, elas acabam se afastando. Ter pessoas negativas sempre por perto acaba influenciando a vida, da mesma forma como a alegria contagia. Voltamo-nos então, mais facilmente para aquilo que é bom, que pode melhorar nossa existência. E isso nada tem a ver com egoísmo das pessoas, mas com a busca de uma vida mais alegre e menos dolorosa.



Então, não espere pelos outros para mudar algo na sua vida. Espere por si! Não cobre dos outros, cobre de si. Faça algo de positivo!

Se você quer ter sempre pessoas em volta de você, cante e ria mais vezes.

As horas gastas em psicólogos podem ser trocadas de vez em quando por uma boa ação, uma visita a um asilo, a um hospital, a alguém que precisa de companhia. Quando a bondade sai dos nossos gestos, a paz entra no nosso corpo. Sentir-se útil é uma excelente maneira de começar a sair do poço. E há tanta gente no mundo precisando que sejamos úteis!



Construa sonhos, dê asas a eles, mas dê também pés. É importante que de vez em quando os pés toquem o chão, que conheçamos a dureza da vida, os nãos que nos decepcionam tanto, o sentimento de desejar, a estranha e deliciosa agonia de não se saber se se vai ou não chegar ao ponto final, mas a determinação de continuar apesar de tudo. Todo mundo passa por isso, ninguém é exceção. Tudo isso é vida, faz parte dela.



Viver é mais que trabalhar, comer, dormir e acordar. Viver é tirar proveito dos momentos que nos são ofertados, é sentir prazer neles, é o suspiro que vem do âmago e que não sabemos explicar. Viver é amar a própria vida do jeito que ela se oferece e se isso não nos satisfaz, ainda é possível colocar um colorido aqui ou lá de vez em quando se colocamos um pouco de boa-vontade.



Os que vivem por viver morrem devagarinho. Os que aproveitam a vida dobram a durabilidade desta, multiplicam os bons momentos e os carregam até a velhice quando, saciados, retornam ao Pai.



(Fonte: Palavras de Esperança)


06 dezembro, 2010

O SONO E OS SONHOS

Chama-se emancipação da alma, o desprendimento do espírito encarnado, possibilitando-lhe afastar-se momentaneamente do corpo físico. No estado de emancipação da alma, o espírito se desloca do corpo físico, os laços que o unem à matéria ficam mais tênues, mais flexíveis e o corpo perispiritual age com maior liberdade. 
Sono é um estado em que cessam as atividades físicas motoras e sensoriais. Dormimos um terço de nossas vidas e o sono, além das propriedades restauradoras da organização física, concede-nos possibilidades de enriquecimento espiritual através das experiências vivenciadas enquanto dormimos. 

Sonho é a lembrança dos fatos, dos acontecimentos ocorridos durante o sono. Os sonhos, em sua generalidade, não representam, como muitos pensam, uma fantasia das nossas almas. 



A ciência e o espiritismo 

A ciência oficial, analisando tão somente os aspectos fisiológicos das atividades oníricas (relativo aos sonhos) ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. 

Sem considerar a emancipação da alma; sem conhecer as propriedades e funções do perispírito, fica, realmente, difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso do corpo físico. Freud, o precursor dos estudos mais avançados nesta área, julgava que os instintos, quando reprimidos, tendem a se manifestar e uma destas manifestações seria através dos sonhos. 

Allan Kardec, através da codificação espírita, principalmente em O Livro dos Espíritos, cap. VIII - questões 400 a 455, analisou a emancipação da alma e os sonhos em seus aspectos fisiológicos e espirituais. 

Allan Kardec tece comentários muito importantes acerca dos sonhos: o sono liberta parcialmente a alma do corpo; o espírito jamais está inativo, têm a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire maior liberdade de ação delimitada pelo grau de exteriorização; podemos entrar em contato com outros espíritos encarnados ou desencarnados; enquanto dormem, algumas pessoas procuram espíritos que lhes são superiores (estudam, trabalham, recebem orientações, pedem conselhos); outras pessoas procuram os espíritos inferiores com os quais irão aos lugares com que se afinizam. 



Sonhos comuns 

São aqueles que refletem nossas vivências diárias. Envolvimento e dominação de imagens e pensamentos que perturbam nosso mundo psíquico. 

O espírito, desligando-se parcialmente do corpo, se vê envolvido pela onda de imagens e pensamentos, de sua própria mente, das que lhe são afins e do mundo exterior, uma vez que vivemos e nos movimentamos num turbilhão de energias e ondas vibrando sem cessar. 

Nos sonhos comuns, quase não há exteriorização perispiritual. São muito freqüentes dada a nossa condição espiritual. Puramente cerebral, simples repercussão de nossas disposições físicas ou de nossas preocupações morais. É também o reflexo de impressões e imagens arquivadas no cérebro durante a vigília (vivências ocorridas durante o dia, quando acordados). 

Nos sonhos comuns, o espírito flutua na atmosfera sem se afastar muito do corpo; mergulha, por assim dizer, no oceano de pensamentos e imagens que povoam a sua memória, trazendo impressões confusas, tem estranhas visões e inexplicáveis sonhos. 



Sonhos reflexivos 

Há maior exteriorização que nos sonhos comuns. 

Por reflexivos, categorizamos os sonhos, em que a alma, abandonando o corpo físico, registra as impressões e imagens arquivadas no subconsciente, inconsciente e superconsciente e plasmadas na organização perispiritual. Tal registro é possível de ser feito em virtude da modificação vibratória, que põe o espírito em relação com fatos e paisagens remotos, desta e de outras existências. 

Ocorrências de séculos e milênios gravam-se indelevelmente em nossa memória, estratificando-se em camadas superpostas. 

A modificação vibratória, determinada pela liberdade de que passa a gozar o espírito, no sono, o faz entrar em relação com acontecimentos e cenas de eras distantes, vindos à tona em forma de sonho. 

Mentores espirituais poderão revivenciar acontecimentos de outras vidas, cujas lembranças nos tragam esclarecimentos, lições ou advertências. 

Poderão os espíritos inferiores motivarem estas recordações com a finalidade de nos perseguirem, amedrontar, desanimar ou humilhar, desviando-nos dos objetivos benéficos da existência atual. 

Geralmente os sonhos reflexivos são imprecisos, desconexos, freqüentemente interrompidos por cenas e paisagens inteiramente estranhas, sem o mais elementar sentido de ordem e seqüência. 

Ao despertarmos, guardaremos imprecisa recordação de tudo, especialmente da ausência de conexão nos acontecimentos que, em forma de incompreensível sonho, estiverem em nossa vida mental durante o sono. 



Sonhos espíritas 

Também chamados de viagem astral ou espiritual; há mais ampla exteriorização do perispírito. 

Leon Denis chama a estes sonhos de etéreos ou profundos, por suas características de mais acentuada emancipação da alma. 

Durante a viagem astral, a alma, desprendida do corpo, exerce atividade real e efetiva, encontrando-se com parentes, amigos, instrutores e também com os inimigos desta e de outras existências. Nas projeções temos que considerar a lei de afinidade. 

Nossa condição espiritual, nosso grau evolutivo, irá determinar a qualidade de nossos sonhos, as companhias espirituais que iremos procurar, os ambientes nos quais permaneceremos enquanto o nosso corpo repousa: o religioso buscará um templo; o viciado procurará os antros de perdição; o abnegado do Bem irá ao encontro do sofrimento e da lágrima, para assisti-los fraternalmente; o interessado em aproveitar bem a encarnação irá de encontro a instrutores devotados e ouvirá deles conselhos, esclarecimentos e instruções, que proporcionarão conforto, estímulos e fortalecimento das esperanças. 

Infelizmente, porém, a maioria se vale de repouso noturno para sair à caça de emoções frívolas ou menos dignas. 
Ao despertarmos, conserva o espírito impressões que raramente afetam o cérebro físico, em virtude de sua impotência vibratória. Fica em nós apenas uma espécie vaga de pressentimento dos acontecimentos, situações e encontros vividos durante o sono. 



Recordação do sonho 

O sonho é a lembrança do que o espírito viu durante o sono, mas nem sempre nos lembramos daquilo que vimos ou de tudo o que vimos. Isto porque não temos nossa alma em todo o seu desenvolvimento. 

Na questão 403, de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga : “Por que não nos lembramos de todos os sonhos? Nisso que chamas sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros seja neste ou noutro mundo. Mas, como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito durante o sono, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.” 



Mecanismo da recordação 

O registro pelo cérebro físico do que aconteceu durante a emancipação da alma através do sono é possível através da modificação vibratória. As diversas modificações vibratórias dos fluidos é que formam os ambientes dimensionais de atuação do espírito. Quanto maior for a velocidade vibratória, mais sutil é o fluido. Quanto mais lenta é a velocidade vibratória, mais denso é o fluido. 

Este raciocínio explica aquela dúvida que sempre ouvimos: Porque raramente lembro de meus sonhos? É por que não sonhei? A resposta para está dúvida é a seguinte: As pessoas que não lembram dos sonhos é porque os acontecimentos vividos ou lembrados durante o sono não foram registrados no cérebro físico. Ficaram apenas registrado no cérebro do perispírito. Agora, quando recordamos dos detalhes dos sonhos é porque tivemos predisposição cerebral para os registros. O fato de não lembrarmos dos sonhos não significa que não tenhamos sonhado, ou seja, vivemos uma vida no plano espiritual e apenas não recordamos. 

Dessa oportunidade se valem nossos amigos do espaço para dar-nos conselhos e sugestões úteis ao desenvolvimento de nossa encarnação. 

Procuram afastar-nos do mal, fortalecem-nos moralmente e apontam-nos a maneira certa de respeitarmos as Leis Divinas. Ao despertarmos, embora não lembremos deles, ficam no fundo de nossa consciência, em forma de intuições, como idéias inatas. 

Podemos dedicar os momentos de semi-libertos à execução de tarefas espirituais, sob a direção de elevados mentores. 

Acontece muitas vezes acordamos com uma deliciosa sensação de bem-estar, de contentamento e de alegria. Isto acontece por termos sabido usar bem de nossa estada no mundo espiritual, executando trabalhos de real valor. Contudo, não raras vezes despertamos tristes e com uma espécie de ressentimento no fundo do nosso coração. 

O motivo dessa tristeza sem causa aparente é que, muitas vezes, nos são mostradas as provas e as expiações que nos caberão na vida, as quais teremos de suportar, e conquanto sejamos confortados por nossos benfeitores, não deixamos de nos entristecer e ficamos um tanto apreensivos. 

Há espíritos encarnados que, ao penetrarem no mundo espiritual através do sono, entregam-se aos estudos de sua predileção e por isso têm sempre idéias novas no campo de suas atividades terrenas. 

Outros valem-se da facilidade de locomoção para realizarem viagens de observação, não só na Terra, mas também nas esferas espirituais que lhe são vizinhas. 

Assim como visitamos nossos amigos encarnados, também podemos ir visitar nossos amigos desencarnados e com eles passarmos momentos agradáveis enquanto nosso corpo físico repousa; disso nos resulta grande conforto. 

Estado de Entorpecimento: São comuns os encarnados cujos espíritos não se afastam do lado do corpo, enquanto este repousa; ficam junto ao leito, como que adormecidos também. 

É comum o sono favorecer o encontro de inimigos para explicações recíprocas. Esses inimigos podem ser da encarnação atual ou encarnações antigas. Os mentores espirituais procuram aproximar os inimigos, a fim de induzi-los ao perdão mútuo. Extingüem-se assim muitos ódios e grande número de inimigos se tornam amigos, o que lhes evitará sofrimentos. É a maior e melhor percepção de que goza o espírito semi-liberto pelo sono, facilita a extinção de ódios e a correção de situações desagradáveis e por dolorosas vezes. 



Os sonhos e a evolução 

Considerável porcentagem de encarnados, ao entregarem seu corpo físico ao repouso, continuam, sono adentro, com suas preocupações materiais. 

Não aproveitam a oportunidade para se dedicarem um pouco à vida eterna do espírito. Estudam os negócios que pretendem realizar, completamente alheios aos verdadeiros interesses de seus espíritos; e nada vêem e nada percebem do mundo espiritual no qual ingressam por algumas horas. 

Há encarnados que ao se verem semi-libertos do corpo de carne pelo sono, procuram os lugares de vícios, com o fito de darem expansão a suas paixões inferiores, na ânsia de satisfazerem seus vícios e seu sensualismo. Outros se entregam mesmo ao crime, perturbando e influenciando perniciosamente suas vítimas, tornando-se instrumentos de perversidade. 

No livro Mecanismos da Mediunidade, psicografado por Chico Xavier, André Luiz nos diz que quanto mais inferiorizado, mais dificuldade terá o homem em se emancipar espiritualmente. 

Qual ocorre ao animal de evolução superior, no homem de evolução positivamente inferior o desdobramento da individualidade, por intermédio do sono, é quase que absoluto estágio de mero refazimento físico. 

No animal, o sonho é puro reflexo das atividades fisiológicas e no homem primitivo, em que a onda mental está em fase inicial de expansão, o sonho, por muito tempo, será invariavelmente ação reflexa de seu próprio mundo consciencial e afetivo. 

Há leis de afinidade que respondem pelas aglutinações sócio-morais-intelectuais, reunindo os seres conforme os padrões e valores. Estaremos, então, durante o repouso noturno, se emancipados espiritualmente, vivenciando cenas e realizando tarefas afins. 

Buscamos sempre, durante o sono, companheiros que se afinam conosco e com os ideais que nos são peculiares. Procuraremos a companhia daqueles espíritos que estejam na mesma sintonia, para realizações positivas, visando nosso progresso moral ou em atitudes negativas, viciosas, junto àqueles que, ainda, se comprazem em atos ou reminiscências degradantes, que nos perturbam e desequilibram a alma. 

Parcialmente liberto pelo sono, o Espírito segue na direção dos ambientes que lhe são agradáveis durante a lucidez física ou onde gostaria de estar, caso lhe permitissem as possibilidades normais. 

Os sonhos espíritas, isto é, naqueles que nos liberamos parcialmente do corpo e gozamos de maior liberdade, são os retratos de nossa vivência diária e de nosso posicionamento espiritual. 

Refletem de nossa realidade interior, o que somos e o que pensamos. 

O tipo de vida que levarmos durante o dia determinará invariavelmente o tipo dos sonhos que a noite nos ofertará, em resposta às nossas tendências. Dorme-se, portanto, como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da sua vida moral e espiritual. 



Análise dos sonhos 

A análise dos sonhos pode nos trazer informações valiosas para nosso autodescobrimento. 

Devemos nos precaver contra as interpretações pelas imagens e lembranças esparsas. 

Há sempre um forte conteúdo simbólico em nossas percepções psíquicas que, normalmente nos chegam acompanhadas de emoções e sentimentos. 

Se, ao despertarmos, nos sentirmos envolvidos por emoções boas, agradáveis, vivenciamos uma experiência positiva durante o sono físico. Ao contrário, se as emoções são negativas, nos vinculamos certamente a situações e espíritos desequilibrados. Daí, a necessidade de adequarmos nossas vidas aos preceitos do bem, vivenciando o amor, o perdão, a abnegação, habituando-nos à prece e à meditação antes de dormir, para nos ligarmos a valores bons e sintonia superior. Assim, teremos um sono reparador e sonhos construtivos. 



Prepara-se para bem dormir 

Elizeu Rigonatti, no livro Espiritismo Aplicado diz que, para termos um bom sono, que ajude o nosso espírito a desprender-se com facilidade do corpo, é preciso que prestemos atenção no seguinte: o mal e os vícios seguram o espírito preso à Terra. 

Quem se entregar ao mal e aos vícios durante o dia, embora o seu corpo durma à noite, seu espírito não terá forças para subir e ficará perambulando por aqui, correndo o risco de ser arrastado por outros espíritos viciosos e perversos. 

A excessiva preocupação com os negócios materiais também dificulta o espírito a desprender-se da Terra. 

A prática do bem e da virtude nos levarão, através do sono, às colônias espirituais onde fruiremos a companhia de mentores espirituais elevados; receberemos bom ânimo para a luta diária; ouviremos lições enobrecedoras e poderemos nos dedicar a ótimos trabalhos. 

Oremos ao deitar, mas compreendamos que é de grande valia a maneira pela qual passamos o dia; cultivemos bons pensamentos, falemos boas palavras e pratiquemos bons atos, evitando a ira, rancor e ódio. E de manhã, ao retornarmos ao nosso veículo físico, elevemos ao Senhor nossa prece de agradecimento pela noite que nos concedeu de repouso ao nosso corpo e de liberdade ao nosso espírito. 





Algumas considerações 

No estado de vigília (quando estamos acordados) as percepções se fazem com o concurso dos órgãos físicos; os estímulos exteriores são selecionados pelos sentidos e transmitidos ao cérebro pelas vias nervosas. No cérebro físico, são gravados para serem reproduzidos pela memória biológica a cada evocação. 

Quando dormimos cessam as atividades físicas (exceto as autônomas), motoras e sensoriais. O espírito liberto age e sua memória perispiritual registra os fatos sem que estes cheguem ao cérebro físico; tudo é percebido diretamente pelo espírito. Por “adaptação vibratória”, as percepções da alma poderão repercutir no cérebro físico; quando lembramos, dizemos que sonhamos, mas na verdade sonhamos todo dia. 

Artigo publicado na edição especial 08 da Revista Cristã de Espiritismo.