12 abril, 2011

O vazio trazido pelos ensinamentos – Pai Joaquim


Eu queria que vocês prestassem muita atenção que o que eu vou falar agora, apesar de não ser novo, é muito importante. Alguém fez duas perguntas dizendo que compreende o que eu falo, mas não consegue ser feliz. Hoje vou dar uma explicação a isto.



Outro dia me disseram: eu e muitas pessoas do grupo estamos sentindo com os ensinamentos, um vazio… Não um vazio nada, mas um vazio incômodo, que incomoda. Sei que muitas pessoas também se incomodam com esse vazio, por isso queria falar sobre isso hoje.



Queria falar sobre essa angústia que surge naqueles que começam a acreditar no que falamos, a buscar por em prática o que nós falamos. Quero falar da angústia do vazio ou da angústia de não vencer o sofrimento, que no fundo é a mesma coisa, pois ambas são angustiantes. Para falar disso preciso relembrar os ensinamentos sobre posses, paixões e desejos.



Tudo o que para você ser humano é uma realidade, ou seja, a sua vida, não é assim por um acaso. Toda a realidade que você vive, não surge do acaso. Como nós falamos na palestra “A felicidade Universal pela lógica humana”, tudo o que lhe vem à mente é o resultado da ação de um conjunto de coisas.



Que coisas são essas? Posses, paixões e desejos. A posse material (é meu); a posse moral (eu sei); e a posse sentimental (eu amo, eu gosto). Não importa o que você pense sobre qualquer coisa, isso que você pensa é o resultado desse trio. Tudo o que você pensa está vinculado a um desejo, formado sobre uma paixão que foi formada a partir da possessão. Não importa o que seja.



Você pensa que gosta da sua esposa, mas isso é uma mentira. Não existe gostar de esposa, namorada, ou esposo, namorado, seja lá o que for. Esse gostar é o resultado de uma posse, expresso por uma paixão, através de um desejo. Isso precisa ficar bem claro para vocês poderem entender porque que aqui há um vazio ou porque que se angustia quando não consegue vencer o sofrimento.



Na verdade, na sua mente, tudo está muito bem atrelado, tudo perfeito… Só que as paixões são verdades, ensinamentos.



Por exemplo, ser pai, ser mãe… Ser mãe é uma paixão, resultado de uma possessão material e de uma possessão sentimental. A paixão ser mãe, gera o desejo, por exemplo, de fazer o melhor para o filho, ajudar o filho a evoluir, dar ao filho os instrumentos necessários para a vida.



Aí o que acontece? Você começa a ouvir um tal de Joaquim e ele diz para você: não existe nem pai, nem mãe, todos somos espíritos, filhos de Deus, somos irmãos universais. Ouvir isso e acreditar nisso muda um elemento da escala organizatória de idéias: a paixão. A paixão passa não mais a ser mais pai ou mãe, mas sim ‘não existe pai nem mãe’.



Até aqui nenhum problema. O problema que leva ao ‘vazio dolorido’ ou a angústia é que não se muda o desejo. Apesar de vocês agora saberem que não existe pai nem mãe, ainda querem (ter o desejo de) proteger o filho, ainda se acham responsáveis por fazer pelo filho…



O que acontece com isso? O desejo, quando vem à mente, não encontra mais subsídio na paixão. Ele encontra um vazio de idéias para sustentá-lo. Não encontra algo que dê sustentação a ele. Com isso, o desejo fica efêmero.



Isto traz o vazio. O vazio que vocês estão sentindo acontece porque não alteraram os desejos para as novas paixões, para as novas realidades.



Uma pessoa ficou muito triste comigo quando eu disse que não precisa dar prato de comida. Isso causou mal a ela. Por quê? Porque ela, apesar de acreditar no que eu digo, ainda permanece com desejos de ser um ser humano bondoso, ou seja, aquele que dá prato de comida.



Este incômodo aconteceu porque a sua nova verdade não sustenta mais esse desejo. A ausência de verdades que consubstancie o desejo cria o vazio.



Foi isso que disse a quem me procurou para falar do ‘vazio’. E disse, então: você precisa se libertar dos desejos antigos alterando-os para coisas de acordo com as novas verdades ou paixões que você está vivendo. Só assim acabará com o ‘vazio’.



Antes de continuarmos, vale a pena o alerta que sempre dou: essas conversas são realizadas com seres humanos que se imaginam capazes de fazer, que se acham aptos a pensar e agir sozinhos e a mudar-se… Não estou tirando nada do que já falei sobre a idéia Deus Causa Primária das coisas.



Então ai está o segredo para acabar com o ‘vazio’. Agora que você tem novas verdades, precisa libertar-se dos desejos antigos e começar a ter desejos novos…



Depois que disse isso a quem me falou sobre o ‘vazio’, ele questionou: como é que eu faço para ter desejo novo? Antes de responder a esta questão, preciso salientar que com ela estou me dirigindo a todos que sentem o ‘vazio’, mas também àqueles que estão tristes consigo mesmo porque continuam sofrendo apesar de terem aceitado tudo o que falei.



Para que se alterem os desejos é preciso alterar outra coisa: o seu objetivo de vida. Para que você está vivo?



De que adianta você ouvir nossos ensinamentos, que falam de um mundo além do mundo da matéria, se o seu objetivo de vida ainda é o mesmo de todos os seres humanos? Se seu objetivo de vida ainda é humano.



Não estou falando de posses materiais, de ter, de buscar coisas materiais. Claro que isso também, mas não é só isso. Falo assim porque quando se fala em desejo material as pessoas acham que é simplesmente o ter objetos. Não, existem outros desejos que são mundanos: você ainda quer ter saúde, ainda quer que a sua família permaneça unida e viva, que ninguém no planeta sofra com dores físicas ou de fome… Estes desejos são do mundo humano e não do espiritual.



O espírito compreende a necessidade do sofrimento humano para a elevação espiritual.

O Livro dos Espíritos é bem claro. Kardec pergunta: ’os espíritos quando saem da carne ainda se preocupam com os que ficaram?’ A resposta: ‘sim, de acordo com o seu grau de elevação. Os espíritos mais atrasados se preocupam muito com o sofrimento de quem fica; os mais adiantados ficam preocupados que os espíritos que ficaram tenham seu quinhão de sofrimento para elevar-se’.



Olhe a diferença: o atrasado preocupa-se com o sofrimento; o elevado preocupa-se que o espírito tenha o seu quinhão de sofrimento. Esta visão é bem diferente da que vocês têm sobre a ação dos espíritos, não?



Quantas vezes já me disseram: compreendo tudo o que o senhor diz, mas não consigo colocar em prática… Por quê? Porque ainda quer resolver a sua vida humana: ainda quer pagar suas contas, quer ter casa, ainda quer ter namorada… Ou seja, quer ser um ser humano, na acepção da palavra. É por isso que as pessoas ainda sofrem, apesar de ter compreendido o que eu digo: porque os seus objetivos e desejos estão completamente dissociados de suas verdades… Esse é o problema.



Por isso eu disse uma vez: o que nós propomos é uma revolução anárquica, uma revolução. É preciso mudar tudo! Mudar as verdades, mas também mudar os desejos. E, para isso, é preciso, principalmente, decidir o que você quer para sua vida.



Você quer levar uma vida humana? Você quer prender-se aos objetivos humanos de vida? Se esta for a sua opção, ninguém vai poder ser contra você. Agora, se decidir por isso, não queira compreender o mundo como eu compreendo, porque senão vai ficar perdido.



Se quiser viver uma vida com objetivos humanos com as verdades que digo você vai ficar fora da realidade. As coisas para você não vão estar uma ligada à outra. Isso vai trazer o vazio; isso vai trazer sofrimento. A partir do momento que você aceita como verdadeiro o que eu falo, é preciso transformar tudo.



A partir do momento que você acredita que existe só em espírito e que esse mundo é todo ilusório, deve nada mais querer deste mundo. Para quem acredita nisso, o seu objetivo não deve mais ser o de buscar alimento, ganhar dinheiro, criar um filho, socorrer o próximo material. Ou seja, todas essas coisas que o ser humano coloca como ideal…



Por isso falei na semana passada: tem muita gente confundindo a idéia de ser um espírito com o ser humano. Muitos, a partir do que ouvem consideram-se espíritos, mas são seres humanos, pois são movidos por ideais humanos. Apesar disso, querem viver com verdades de espírito. Não dá certo…



Em O Livro dos Espíritos, na questão da escolha das provas, há um comentário de Kardec que é magnífico. Ele diz assim: ‘É muito diferente o anseio que move o espírito antes da encarnação e a mente depois de encarnada’.



O espírito antes de encarnar quer uma coisa e o ser humano quer outra. Por isso, quando se fala em vivenciar a vida com verdades espirituais, você tem que estar movido pelo mesmo anseio do espírito antes da encarnação.



Àqueles que me falam do sofrimento que continua existindo mesmo depois de tomar conhecimento com as verdades que prego sempre digo: o que se deve fazer ao sofrer é louvar a Deus por estar recebendo estas situações; ficar feliz porque está tendo a oportunidade da elevação! Mas, como fazer isso se o desejo ainda é resolver o problema?



Como louvar a Deus por situações deste tipo se o anseio ainda é ser um ser humano reconhecido que tenha um emprego, uma família estruturada… Não estou falando apenas daqueles que querem ganhar rios de dinheiro, mas em ser um ser humano estruturado dentro da vida humana.



Já me perguntaram assim: mas se eu for fazer o que o senhor prega, viro um mendigo… E daí? Qual o problema de ser um mendigo?’ Só é problema ser um mendigo para aqueles que não querem ser, ou seja, para aqueles que ainda têm ideais humanos a serem preenchidos.



Portanto, o fim do vazio e da continuidade do sofrimento apesar de tantos ensinamentos só acontece quando os desejos estão de acordo com as paixões (verdades), mas isso só pode acontecer quando o objetivo de vida deixar de ser humano.

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