14 julho, 2011

CAUSAS FÍSICAS DO ESQUECIMENTO DAS VIDAS ANTERIORES


"....Indicamos neste capítulo as causas físicas do esquecimento das vidas anteriores. Nao será conveniente, ao terminá-lo, colocar-nos em outro ponto de vista e inquirir se esse esquecimento nao se justifica por uma necessidade de ordem moral? Para a maior parte dos homens, frágeis "caanas pensantes" que o vento das paixoes agita, nao se nos afiruta desejável a recordacao do passado; pelo contrário, parece indispensável ao seu adiantamento que as vidas anteriores se lhes apaguem momentaneamente da memória.






A persistência das recordacoes acarretaria a persistência das idéias errôneas, dos preconceitos de casta, tempo e meio, numa palvra, de toda uma heranca mental, de um conjunto de vistas e coisas que nos custaria tanto mais a modificar, a transformar, quanto mais vvivo estivesse em nós. Deparar-se-iam assim muitos obstáculos à nossa educacao, aos nossos progressos; nossa capacidade de julgar achar-se-ia muitas vezes adulterada desde o berco. O esquecimento, ao contrário, permitindo-nos aproveitar mais amplamente dos estados diferentes que uma nova vida nos proporciona, ajuda-nos a reconstruir nossa personalidade num plano melhor; nossa faculdade e nossa experiência aumentam em extensao e profundidade.






Outra consideracao, mais grave ainda. O conhecimento de um passado corrupto, conspurcado, como deve suceder com o de muitos de nós, seria um fardo pesado. Só uma vontade de rija têmpera pode ver, sem vertigem, desenrolar-se uma longa série de faltas, de desfalecimentos, de atos vergonhosos, de crimes talvez, para pesar-lhes as consequências e reignar-se a passar por elas. A maior parte dos homens atuais é incapaz de tal esforco. A recordacao das vidas anteriores só pode ser proveitosa ao Espírito bastante evoluído, bastante senhor de si para suportar-lhe o peso sem fraquejar, com suficiente desapego das coisas humanas para contemplar com serenidade o espetáculo de sua história, reviver as dores que padeceu, as injúrias que sofreu, as traicoes dos que amou. É privilégio doloroso conhecer o passado dissipado, passado de sangue e lágrimas, e e também causa de torturas morais, de íntimas laceracoes.






As visoes que se lhe vinculam, seriam, na maioria dos casos, fonte de cruéis inquietacoes para a alma fraca presa nas garras do seu destino. SE as nossas vidas precedentes foram felizes, a comparacao entre as alegrias que nos davam e as amarguras do presente, ronaria estas últimas insuportáveis. Foram culpadas? A expectativa perpétua dos males que elas implicam paralisaria a nossa acao, tornaria estéril nossa existência. A persistência dos remorsos e a morosidade da nossa evolucao far-nos-iam acreditar que a perfeicao é irrealizável!






Quantas coisas, que sao outros tantos obstáculos à nossa paz interna, outros tantos estorvos para nossa liberdade, nao quiséramos deliz da nossa vida atual? Que seria, pois se a perspectiva dos séculos percorridos se desenrolasse sem cessar, com todos os pormenores, diante da nossa vista? O que importa é trazer consigo os frutos úteis do passado, isto é, as capacidades adquiridas; é esse o instrumento de trabalho, o meio de acao do Espírito. O que constitui o caráter é também o conjunto das qualidades e dos defeitos, dos gostos e das aspiracoes, tudo o que transborda da consciência profunda para a consciência normal.






O conhecimento integral das vidas passadas apresentaria incovenientes formidáveis, nao só para o indivíduo, mas também para a coletividade; introduziria na vida social elementos de discórdia, fermentos de ódio que agravariam a situacao da Humanidade e obstariam a todo progresso moral. Todos os criminosos da História, reencarnados para expiar, seriam desmascarados; as vergonhas, as traicoes, as perfídias, as iniquidades de toso os séculos seriam de novo assoalhadas à nossa vista. O passado acusador, conhecido de todos, tornaria a ser causa de profunda divisao e de vivos sofrimentos.






O homem, que vem a este mundo para agir, desenvolver as suas faculdades, conquistar novos méritos, deve olhar para a frente e nao para trás. diante dele abre-se, cheio de esperancas e promessas, o futuro; a Lei Suprema ordena-lhe que avance resolutamente e, para tornar-lhe a marcha mais fácil, para livrá-lo de todas as prisoes, de todo peso, estende um véu sobre o seu passado. Agradecamos à Providência Infinita que, aliviando-nos da carga esmagadora das recordacoes, nos tornou mais cômoda a ascensao, a reparacao menos amarga.


Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor - Léon Denis








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