03 fevereiro, 2011

Momento em Casa - Lacos de afeto



Laços de afeto
Do poeta e escritor gaúcho Mário Quintana, 
encontramos uma preciosidade que fala sobre algo muito simples: um laço.
Escreveu ele: Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... 
Uma fita... Dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula
 e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso 
cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, 
no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? 
Vai escorregando... 
Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah, então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a 
qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz:
 romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita,
 sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
* * *
Tem toda razão o poeta em sua analogia. 
Amor e amizade são sentimentos altruístas.
Quem ama somente deseja o bem do ser amado.
 Por isso, não interfere em suas escolhas, em seus desejos.
Sugere, opina, mas deixa livre
 o outro para a tomada das próprias decisões.
Quem ama auxilia o amado a atingir seus objetivos. 
Nunca cobra o ofertado, nem exige nada em troca.
Quem ama não aprisiona o amado, não o algema ao seu lado. 
Ama e deixa o amado livre para estender suas asas.
Assim crescem os dois, pois há espaços para ambos conquistarem.
Na amizade, não se faz diferente o panorama. 
O verdadeiro amigo não deseja que o outro pense como ele próprio 
pois reconhece que os pensamentos são criações originais de cada um.
Entende que o amigo é uma bênção que lhe cabe cultivar
e o auxilia a realizar a sua felicidade sem cogitar da sua própria.
Sente-se feliz com o bem daquele a quem devota amizade.
Entende que cada criatura humana é um ser inteligente
 em transformação e que, por vezes, 
poderão ocorrer mudanças na forma de pensar, de agir do outro.
Mudanças que nem sempre estarão na mesma
direção das suas próprias escolhas.
O amigo enxerga defeitos no coração do outro, 
mas sabe amá-lo e entendê-lo mesmo assim.
E, se ventos diversos se apresentam, criando distâncias entre ambos,
jamais buscará desacreditar ou desmoralizar aquele amigo.
Tudo isso, porque a ventura real da
 amizade é o bem dos entes queridos.
Um laço que ata... Um laço que se desata..
Aqueles a quem oferecemos o coração, poderão se distanciar, 
buscar outros caminhos, atravessar outras fronteiras.
Eles têm o direito de assim proceder, se o desejarem.
 De nossa parte, lembremos da leveza do laço e
 cuidemos para que não se transforme em nó, que prende e retém.
Redação do Momento Espírita, com base em versos do poeta Mário Quintana
 e
 no cap. 12, do livro Sinal verde
pelo Espírito André Luiz,
 psicografia de
 Francisco Cândido Xavier, ed. Cec.
Em 02.02.2011.
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