28 dezembro, 2010

O GRÃO DE MOSTARDA



Era criança e certa vez um homem me deu uma semente de mostarda e me disse que se tivesse fé do tamanho daquele grão, poderia dizer à montanha que se movesse, e ela se moveria. Voltei para casa, com a sementinha nas mãos, pensativo. De manhãzinha me encaminhei à montanha e disse: Montanha, mova-se, esperei e nada aconteceu. Disse de novo e de novo e nada ocorreu. Voltei a casa, triste, com a sementinha na bolsa, sem nada entender.

Era jovem e estava no campo, quando uma de minhas cabras se perdeu. Ao procura-la encontrei-a quase exaurida tentando sair de uma funda grota onde caiu. Tentei ajuda-la mas não a alcançava. Então falei: Senhor, salva minha cabritinha, e sem querer esbarrei numa pedra que rolou para a grota, e a cabra nela subindo conseguiu sair. Fiquei feliz com a cabra e voltei a casa, com a semente na bolsa, sem nada entender.

Houve uma grande seca, muitos meses sem chuva, a natureza estava morta. Todos sofriam, as pessoas e o rebanho. Todos se lamentavam e choravam a morte de crianças e de animais. Quando nada mais havia a fazer, falei: Senhor, nada mais temos e tampouco teremos, se não nos enviares um pouco de chuva. No dia seguinte choveu uma chuva fina, no outro dia mais um pouco e no seguinte um pouco mais, a natureza renasceu, o gado engordou e seu leite salvou as crianças. Eu ainda estava com a semente na bolsa, sem nada entender.

Meus filhos cresceram, casaram e tiveram filhos. E um dia a peste alcançou nossa aldeia. Eu já estava velho e cego e reunido a minha família, assim falei: Senhor, leva-me a mim que estou velho, e deixa as crianças. Passaram os dias. Passou a peste e nenhuma criança morreu, Eu apalpei a semente que ainda estava em minha bolsa e nada entendi.

Mais alguns anos passaram e no fim de meus dias, pedi a um de meus netos que me guiasse a montanha. Lá chegando, falei: Montanha, mova-se, esperei e nada aconteceu. Disse de novo e de novo e nada ocorreu. Cansado, apalpei a semente, que continuava em minha bolsa e antes que Deus ordenasse a meu coração que cessasse de bater, pensei na pedra que permitiu a cabrita subir do grotão, da chuva que salvou minha aldeia, da peste que não entrou em minha tenda…

E apalpando a sementinha, tudo passei a entender.

Desconheço o autor
Fonte: Mensagem recebida por e-mail
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