19 janeiro, 2011

A Submersão da "Grande Ilha"

"Faltando cinco anos para a submersão da Atlântida, os homens iniciaram pesquisas para a mutação genética e a clonagem de seres, visando utilizá-los como meros andróides e enviá-los a outros continentes com o objetivo de escravizar os povos primitivos do planeta. Nesse período, foi rompido o bloqueio da energia "vril" que passou a ser utilizada de forma irresponsável pelas facções em guerra, causando graves danos à natureza e à população civil.







Era possível ouvir grandes explosões e sentir tremores de terra em decorrência das guerras entre as regiões. As duas raças que viviam na Atlântida, e que sempre se respeitaram e se amaram, tornaram-se inimigas por causa da discriminação racial que ainda impera até os nossos dias, fruto do baixo nível espiritual da humanidade terrena.



Estávamos velhos e cansados. Mestre Násser caminhava com dificuldade. A vida na selva havia desgastado nossos organismos, já com avançada idade. Na época da grande catástrofe, estávamos com aproximadamente cento e vinte anos. Muitos dos antigos atlantes que abraçaram o projeto já tinham desencarnado em conseqüência do clima hostil da vida selvagem. Graças aos jovens eleitos que lutavam pelo alimento do dia-a-dia e construíam os navios foi possível obter êxito no Grande Projeto.



Os espíritos orientadores do planeta nos informaram que o momento de embarcar para novas terras ocorreria quando um astro vermelho surgisse no céu. Três meses antes da catástrofe enxergamos o ponto escarlate na abóbada celeste.



Apressamos os jovens a recolherem os mantimentos que deveriam levar na viagem. Logo, os doze grandes barcos estavam lotados com cinqüenta passageiros cada. Os jovens, demonstrando todo seu afeto por nós, insistiram para que partíssemos com eles.



Násser respondeu:



— Meus filhos, aqui termina a nossa tarefa e inicia-se a vossa! Estamos velhos e devemos seguir para a Pátria Maior. Mantende o coração em paz, porque estaremos sempre ligados a vós, trabalhando para o bom êxito dessa missão.



Os jovens abraçaram Criste, emocionados. Eles a chamavam de "A Grande Mãe", e ela adorava! Com seus cabelos brancos como neve, a luz de seu amorável espírito se irradiava sobre todos os meninos e meninas.



Foi difícil convencê-los a nos deixar sós na selva. Estávamos velhos, mas não morreríamos antes de ver o grande fim da Atlântida. Aos poucos, os navios foram sumindo, após as ondas do mar, em direção ao horizonte. De longe, abraçados, víamos os acenos e as irradiações de amor que os nossos meninos nos dirigiam em um misto de cores belíssimas.



Criste, com os olhos úmidos de emoção, disse-nos:



— Cumprimos bem nossa tarefa! Escolhemos bem os meninos; eles serão focos de luz no novo mundo e trarão um grande impulso para as novas civilizações que se formarão na Terra.



Eu passei a mão pelos cabelos de Criste e respondi:



— Sim, cumprimos nossa tarefa! Basta agora aguardar a Vontade Divina e seguir o nosso destino rumo ao novo planeta, onde já vivem nossos irmãos.



Atônis, então, disse-nos, com um brilho nos olhos:



— Não, a minha missão ainda não terminou! Eu ficarei na Terra e ajudarei os capelinos a evoluir. Pedirei ao "Grande Espírito" para seguir trabalhando neste planeta por amor aos nossos irmãos que iniciaram aqui na Atlântida o seu ciclo de encarnações na Terra.



Todos nos olhamos em silêncio. Atônis mantinha o semblante sereno e iluminado por uma energia dourada, tão bela quanto o Sol. Ele estava com a razão! Estávamos muito engajados na evolução dos capelinos para abandonar a Terra. O mal que eles praticavam não nos causava revolta, mas sim piedade. Desejávamos libertá-los do mal, que é exclusivamente filho da ignorância espiritual.



E foi assim que ficamos ao lado dos trabalhadores do Cristo na Terra. Trabalhamos por longos séculos, tanto no plano espiritual como no material, até que reencarnamos juntos na décima oitava dinastia egípcia, a fim de preparar o povo da terra de Kemi para a vinda do Messias, o "Grande Espírito".



















Eu, Ártemis, reencarnei como Ramósis, o sumo sacerdote do Templo de Osíris. Násser veio ao mundo como o sumo sacerdote de Heliópolis, Meri-Rá. Criste reencarnou como a rainha Nerfetite e Atônis como Akhenaton, o faraó do Deus Único.







Após a partida dos jovens, regressamos à capital Posseidon, no centro do continente. Utilizando a energia "vril", nos deslocamos com facilidade. Aguardamos os três meses que faltavam para o fim da Atlântida assistindo toda a sorte de desregramentos por parte da população. Com certeza a capital era a cidade mais influenciada pelas vibrações inferiores.



Nós já tínhamos sido esquecidos e éramos tratados como mendigos insignificantes. Enquanto isso, o astro rubro crescia no firmamento. O povo se maravilhava com a beleza da nova estrela no céu. Os cientistas, típicos do perfil capelino, diziam-se senhores da órbita do cometa e o identificavam como inofensivo ao planeta; mas, na verdade, eles apenas especulavam com base em sua visão limitada das coisas, assim como nos dias atuais.



Um mês antes do apocalipse, uma das raças atlantes venceu a guerra e escravizou a raça perdedora. Fugimos, então, para o pico de uma montanha nos arredores de Posseidon e lá nos abrigamos enquanto o cometa se aproximava rapidamente em direção à Terra.



O calor emanado do astro rubro atiçou as vibrações inferiores do povo, que paralisou as atividades produtivas e iniciou uma comemoração pela vitória na guerra que durou por quatro semanas seguintes. Os derrotados eram utilizados para servir a todos os caprichos dos vencedores. A bebida e as drogas foram consumidas em grande escala nas últimas semanas da Atlântida.



Cinco dias antes do impacto, algumas pessoas perceberam que o cometa iria colidir com a Terra. Houve uma histeria generalizada e o povo começou a fugir da grande capital da Atlântida. Mas para onde quer que fossem parecia que o cometa os perseguia. Os cidadãos mais abastados e detentores do poder fugiram para o litoral e ingressaram em grandes barcos tentando fugir da catástrofe.







Finalmente o cometa entrou na atmosfera terrestre, causando um estrondo mais alto que mil trovões. As pessoas gritavam desesperadas sem saber para onde fugir e corriam sem rumo, pisoteando umas nas outras.



Ao contrário do que se imaginava, a grande pedra do céu caiu a milhares de quilômetros da capital. O impacto foi tão forte que dividiu o continente em três partes. A Atlântida desprendeu-se do que hoje conhecemos por ilhas Canárias, Açores e Madeira e dividiu-se ao meio no local onde o cometa a atingiu.









Os habitantes da grande metrópole mal tinham respirado aliviados quando começou uma série de terremotos que derrubou os prédios maiores soterrando muitas pessoas. O pânico era total e não havia para onde fugir.







Com o impacto do cometa, o eixo da Terra, antes verticalizado, inclinou-se em relação ao Sol; mudança que causou a impressão de que todas as estrelas do céu estavam caindo sobre a Terra, agravando a situação de desespero do povo que vivia um verdadeiro inferno, intensificado pelo efeito alucinógeno de bebidas e drogas.



Logo começaram os incêndios por todo o continente e uma erupção vulcânica surgiu repentinamente a dois quilômetros da "Grande Pirâmide". Por todas as direções sucederam-se erupções vulcânicas e tremores de terra. A lava invadiu os centros urbanos destruindo o que os terremotos não haviam arruinado.







Sete horas depois, ao amanhecer, quando tudo parecia ter-se acalmado, surgiram gigantescas ondas do Oceano Atlântico por todos os lados da capital. A sensação era de que o mar estava invadindo a Atlântida. Mas, na verdade, era a "Grande Ilha" que começava a submergir para o fundo do oceano em decorrência da acomodação das placas tectônicas, que perderam a sua sustentação durante a erupção do magma pelos vulcões.







Em questão de minutos as ondas atingiram toda a Grande Atlântida e o continente se calou. Nós estávamos no pico da montanha abraçados em profunda oração aguardando o nosso destino. Eis que minutos antes do fim, surgiram anjos iluminados do Céu e nos desligaram do corpo físico, dizendo:



— Não existe injustiça na Obra de Deus. Vós não possuís carma, portanto nada devereis sofrer na terra que tanto amastes!



Nossos espíritos levitaram, enquanto nossos corpos caíam ao chão sem vida. Logo, o mar engoliu a terra e pudemos ver os barcos que tentavam fugir na última hora sendo tragados pelo repuxo das ondas que inundaram a Atlântida.









Um redemoinho se formou e todas as embarcações desceram junto com a "Grande Ilha" para o fundo do mar. Agradecemos a Deus por nossos pupilos terem partido há meses; caso contrário, eles não teriam escapado às forças avassaladoras da natureza.



Os espíritos iluminados que nos amparavam, ao perceberem nossos pensamentos, nos conduziram pela imensidão do oceano até alcançarmos os barcos de nossos pupilos, que se aventuravam por um rumo desconhecido.



Eles estavam impressionados com as explosões e a luz incandescente que partia da Atlântida, a centenas de quilômetros de distância do local em que se encontravam. O céu tornou-se escuro, coberto pela poeira cinza das erupções. Por longas semanas não se viu a luz do Sol!



O mar ficou rebelde e os barcos começaram a se separar, conduzidos pela força das ondas depois do grande cataclisma. Alguns foram dirigidos por mãos divinas para as Américas, outros foram para a Ásia e outros tantos para o Vale do Nilo.



Naquele dia a Terra entrava em mais um novo ciclo de evolução espiritual. Mais um, de centenas que ela já viveu!"



Hermes

Fonte: trechos extraídos do livro Akenathon de Roger Mortinho

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